Ciência

Coronavírus: análise descreve diferença de ação do vírus por idade

por: Vitor Paiva

Apesar de afetar com intensidade e periculosidade diferente a cada grupo etário, a verdade é que ninguém está minimamente imune ao coronavírus, nem mesmo protegido de seus efeitos mais graves – diversas notícias pelo mundo mostram que, ainda que raros, são diversos os casos fatais entre pessoas mais jovens. Aparentemente homens e pessoas com doenças prévias graves também são dos grupos de maior risco, além das pessoas com idades acima de 60 anos – mas o fato é que todos devem se preocupar, seguir as orientações, e ficar em casa.

Pois, afinal, as medidas não são somente para impedir contaminações diretas, mas também para evitar que nos tornemos transmissores em potencial. Assim, a partir do estudo realizado pela Organização Mundial de Saúde em cima dos dados de Wuhan, onde o novo coronavírus primeiro surgiu, aliado a outras pesquisas e artigos, o site Vox levantou o que sabemos sobre como a Covid-19 impacta cada faixa etária. Naturalmente que não se tratam de dados conclusivos, e que muita coisa pode mudar, mas é possível estimar o efeito da doença, das crianças aos mais idosos, até aqui e por todo o mundo.

© Anthony Wallace/AFP via Getty Images

Crianças abaixo de 10 anos:

Ainda que normalmente sejam parte do grupo de risco, no caso do coronavírus as crianças e bebês tem sido o grupo menos afetado: são poucos os casos de crianças infectadas que exijam internação, e até o dia 23 de março de 2020, nenhuma morte havia sido contabilizada.

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Pré-adolescentes e adolescentes (entre 10 e 19 anos):

Ainda são poucos os dados, mas a Espanha vem monitorando esse grupo, onde, dos 221 casos registrados de pessoas entre 10 a 19 anos com Covid-19, 15 foram hospitalizadas e nenhuma foi para UTI. Somente uma fatalidade foi contabilizada. Trata-se de um grupo ainda de risco bastante baixo, mas já existe a possibilidade de complicações e até mesmo morte.

Jovens adultos (entre 20 e 29 anos)

Também na Espanha até o dia 23 de março foram 1.285 casos registrados nessa faixa etária, com 183 hospitalizados e 4 mortes. Coréia do Sul e Itália não haviam registrado nenhuma morte, e na China a faixa de fatalidade é de 0.2%. Aqui começa uma tendência que não muda: quanto maior a idade, maior o risco. Mortes são raras nessa faixa etária, mas acontecem.

Adultos (30 a 49 anos)

Na Espanha foram contabilizados 5.127 casos, com 1.028 hospitalizações e 12 mortes – uma estimativa de 0,2%. Na Itália a faixa de mortalidade nessa idade é de 0,3%, na China 0,2%  e 0,1% na Coréia do Sul. Nessa faixa, as hospitalizações já alcançam números altos e, com isso – como também são mais altos os casos gerais – as baixas porcentagens de morte já abrangem um número maior de pessoas.

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Idade próxima à aposentadoria (Entre 50 e 69 anos)

Na Espanha o índice de hospitalização foi de 36% nessa faixa – 2,166 pessoas hospitalizadas de 6,045 casos. 83 casos foram fatais, em um índice de letalidade de 1,4%. Trata-se de um grupo de risco alto, especialmente por muitas pessoas nessa faixa possuírem condições médicas prévias.

Idosos (70 anos ou mais)

O índice de hospitalização de idosos na Espanha foi de 55%, com 3,388 internações para 6,152 casos até o dia 23. Destes, 705 pessoas com idade acima de 70 anos vieram a falecer de Covid-19 no país – um dado de 11,4%. Não há dúvida, portanto, qual o grupo mais ameaçado pela doença: os mais velhos.

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É por isso que não basta lutarmos para não sofrermos individualmente pelos efeitos do vírus: é preciso também se cuidar para não contaminar. Lavar as mãos, manter distância de outras pessoas caso tenha que sair, mas principalmente ficar em casa durante a quarentena são medidas sanitárias mas também de amor e cuidado – aos mais velhos, mas não somente: a todas as pessoas.

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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