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Coronavírus e relações de trabalho: mais de 40% do mercado, informais sofrem com paralisações

por: João Vieira

A pandemia do novo coronavírus tem causado diversas movimentações por parte do poder público, a maioria delas tendo como objetivo encorajar as pessoas a ficarem em casa. Nesta segunda-feira (17), o Brasil registrava 234 casos confirmados de cidadãos infectados pela Covid-19, sendo 152 deles em São Paulo, onde há transmissão comunitária, quando o vírus é passado entre pessoas residentes no mesmo local.

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O crescimento agressivo da doença fez o governador do Estado, João Doria (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Bruno Covas (PSDB), apertarem o cerco e fortalecerem o plano de contingência da contaminação. Enquanto Doria anunciou o aumento da rede de atendimento remoto de serviços como Detran e Poupatempo e a diminuição gradativa do ritmo dos transportes coletivos, Covas declarou estado de emergência na cidade de São Paulo nesta terça-feira (17), o que restringe a circulação de pessoas e limita o acesso a espaços públicos. As unidades do Sesc, por exemplo, ficarão fechadas entre hoje e o dia 31 de março. O programa de abertura de ruas para lazer nos finais de semana foi suspenso, assim como o rodízio de automóveis.

Toda essa movimentação do poder público, somado ao aumento de casos, fez com que o setor privado também tomasse medidas para conter o avanço da pandemia, lançando planos emergenciais de trabalho remoto.

Segundo relatos de funcionários ouvidos pela reportagem do Hypeness, empresas como Sumup, Blu Pagamentos, GymPass, PicPay, Mercado Livre, Loft, Méliuz e Nubank estão implementando regimes de home office nas últimas semanas, restringindo a circulação de pessoas em suas sedes e evitando aglomerações.

Escritório do Nubank, em São Paulo: empresa instaurou regime de home office

Mas como ficam os autônomos?

O trabalho informal atinge 40,7% da população brasileira já ocupada. A maioria desses são autônomos, que possuem comércios ou fazem atendimento por conta própria, como os trabalhadores de aplicativos (entregadores e motoristas) e as diaristas.  Essa última categoria sofre com um dilema: arriscar-se limpando a casa de pessoas potencialmente infectadas, ou ficarem sem o pagamento da faxina?

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Nas redes sociais, diversas pessoas iniciariam uma campanha de conscientização daqueles que contratam esse tipo de serviço: dispense sua empregada doméstica, mas pague pelo trabalho, evitando que ela fique desfalcada. Vale lembrar que o primeiro caso de transmissão comunitária no Rio de Janeiro foi de uma doméstica, que pegou coronavírus ao limpar a casa de um casal infectado que estava em quarentena.

Mas há outros profissionais que oferecem serviços para reuniões de pessoas, como organizadores de festas, que ficam praticamente sem saída em situações atípicas como essa. A Thais Olhier é proprietária da marca PanCake, que oferece serviço de confeitaria e decoração para festas infantis. Ela perdeu todas as festas marcadas para até o dia 15 de abril e só tem visto o prejuízo aumentar.

A PanCake produz festas infantis

A situação tá toda parada, são oito festas [canceladas] até o dia 15 de abril“, conta ela. Thais, que tem uma filha pequena, já calcula um prejuízo de 4 mil reais. “Além das festas, as oficinas do shopping para as crianças no espaço kids parou totalmente. Meu medo é como vai ficar daqui pra frente porque [este trabalho] é 100% da minha fonte de renda“.

No caso dela, a solução foi investir na criatividade em busca de tentar driblar a crise.

O que eu pensei foi em lançar um mini kit festa em casa, para quatro ou cinco pessoas mesmo (pai mãe e filhos), com entrega em domicílio“, diz ela, que se preocupa em conseguir o mínimo para ao menos conseguir pagar despesas e a funcionária que possui, além de, claro, garantir a festa das crianças. “Muitas tiveram a festa inteira cancelada, já estavam na expectativa. Assim podem ter pelo menos um bolo entre a família, um pouco de felicidade nesse momento.

Uber oferece suporte a motoristas infectados

No último domingo (15), a Uber emitiu um comunicado anunciando medidas de apoio a motoristas que sejam infectados ou tenham que ficar em quarentena. A empresa oferecerá um benefício a quem for impedido de trabalhar, com um pagamento baseado na média de receita diária que o profissional teve nos últimos seis meses, tendo o dia 6 de março como referência. Se a conta não tiver completado estes seis meses até a data, o cálculo vai considerar o período correspondente a atuação do colaborador na plataforma.

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O valor será então multiplicado por 14, número de dias de trabalho remunerado que a Uber tem preestabelecido. Ou seja, se o motorista tem média diária de 100 reais, ele receberá 1.400 reais. O mesmo vale para entregadores do aplicativo Uber Eats.

O benefício, porém, não contempla, ao menos por enquanto, profissionais não infectados que tenham que seguir trabalhando durante o período de restrições.

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Fotos: foto 1: Nubank/Divulgação/foto 2: Arquivo pessoal


João Vieira
Com seis anos de jornalismo, João Vieira acredita na profissão como uma ótima oportunidade de contar histórias. Entrou nessa brincadeira para dar visibilidade ao povo negro e qualquer outro que represente a democracia nos espaços de poder. Mas é importante ressaltar que tem paixão semelhante pela fofoca e entretenimento do mais baixo clero popular.


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