Ciência

Coronavírus: mulheres e universitárias, elas precisaram de 48h para sequenciar o Covid-19

por: Karol Gomes

Enquanto o Carnaval de rua rolava do lado de fora, pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz (IAL) e do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (IMT-USP) se reuniram, seguindo protocolo do Ministério da Saúde, dentro de laboratórios de pesquisa para passar o Carnaval trabalhando para sequenciar o genoma do Coronavírus, coletado em paciente internado na capital paulista – o diagnóstico do homem de 61 anos foi confirmado na quarta-feira (26).

“Em média, os países estão conseguindo fazer o sequenciamento em 15 dias. Queríamos fazer em 24 horas, bater o recorde, mas não funcionou tudo (no processo). Fizemos em 48 horas, como o Instituto Pasteur (na França)”, disse Ester Cerdeira Sabino, pesquisadora e professora do IMT-USP, em entrevista à BBC News Brasil.

Ela explicou ainda que, nas epidemias anteriores, como da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) ou da Respiratória do Oriente Médio (Mers), era possível sequenciar (o vírus), mas só tinha o dado alguns meses depois. Hoje o sequenciamento está acontecendo em tempo real, enquanto a epidemia acontece, graças ao barateamento dos equipamentos necessários. 

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A capacidade de sequenciar rapidamente, principalmente no início de uma epidemia, pode ajudar na tomada de decisões. “Vamos supor que apareça outro caso em São Paulo: se você tem a sequência, você pode responder mais rapidamente se o vírus já está circulando a nível local independente de viagens no exterior (os chamados casos autóctones)”, finaliza Ester.

Os resultados divulgados pela equipe brasileira nesta sexta-feira (28) indicam por exemplo que, das dezenas de amostras do novo tipo de Coronavírus, já analisadas em todo o mundo, a maior compatibilidade do material genético do vírus encontrado no paciente internado em São Paulo foi com um vírus sequenciado na Bavária, Alemanha. Logo, a possível transmissão da Alemanha para a Itália é uma hipótese nova trazida pela equipe brasileira.

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A região da Lombardia, no norte da Itália, onde o paciente brasileiro infectado esteve, até agora não teve amostras sequenciadas por equipes ou institutos locais — ao menos não publicamente. O sequenciamento realizado em São Paulo foi comparado com 127 genomas completos do coronavírus sequenciados em 17 países diferentes.

É normal que, quando o vírus está se ‘instalando‘ no corpo de um novo hospedeiro, haja erros no processo de replicação de seu material genético. São mutações que, ao acaso, podem facilitar ou dificultar a infecção do paciente infectado. 

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Segundo caso em SP

A XP Investimentos enviou na noite de domingo (1) um e-mail para seus funcionários alertando que um dos seus colaboradores está com Covid-19. É o segundo caso confirmado no Brasil da doença causada pelo novo Coronavírus – o primeiro foi do paciente que possibilitou o sequenciamento.

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Segundo o comunicado, o funcionário estava em uma viagem de lazer na Itália e está em isolamento domiciliar sem apresentar sintomas. O UOL confirmou a veracidade do e-mail e apurou que a empresa deixou a critério dos funcionários trabalharem de casa ou irem ao escritório.

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Foto: Reprodução /Facebook


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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