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Do coronavírus a gripe espanhola: as maiores pandemias da humanidade

por: Yuri Ferreira

O coronavírus (Covid-19) foi considerado uma pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença, que foi registrada primeiramente na província de Wuhan, na China, se espalhou pelo mundo. Eventos esportivos e culturais cancelados, cidades vazias e o medo no rosto das pessoas mostramo tamanho da doença que vai mudar o comportamento mundial.

Previsões acreditam que o vírus – que tem índice de letalidade de 2%, mas de 15% em pessoas com mais de 80 anos – pode infectar até 70% da população mundial. A alta prevalência esperada colocará o coronavírus no posto de uma das maiores pandemias de todos os tempos. Mas quais as outras grandes pandemias da história da humanidade?

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1. Gripe Espanhola

Profissionais de saúde da cruz vermelha em operação nos EUA para prevenção e tratamento da febre amarela. “Se eu falhar, ele morrerá”, diz o cartaz ao fundo

Especialistas dizem que o coronavírus pode ser a maior epidemia da história desde a Gripe Espanhola. No entanto, o que foi essa pandemia?

A gripe espanhola foi uma variação do vírus Influenza (comumente associado às gripes recorrentes e ao H1N1). A origem da mutação do vírus da gripe é desconhecida. Os casos tiveram início de 1917 e desde então ela se coloca como uma das doenças mais resistentes de todos os tempos. A letalidade da gripe variou entre 6% a 8% durante o surto.

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Com estimativa entre 17 e 100 milhões de mortos ao redor de todo o mundo, a Gripe Espanhola infectou 27% da população mundial e milhares de pessoas no Brasil. Precisa-se que mais de 35 mil pessoas tenham morrido no nosso país. Uma delas foi o presidente Rodrigues Alves, que faleceu antes de assumir a presidência pela segunda vez.

2. Peste Bubônica

Os médicos durante a peste bubônico utilizavam esse tipo de máscara para se proteger da contaminação originada pela peste bubônica

A peste bubônica é uma doença causada por uma bactéria presente em ratos pretos. Pulgas que morderam os ratos ao entrar em contato com os humanos transmitem a doença, que causa febre, dores de cabeça, e vômitos e um inchaço enorme dos gânglios linfáticos, além de manchas pretas ao redor da pele.

A doença passou a se espalhar por toda a Europa e estima-se que ela tenha matado mais de 50 milhões de pessoas entre 1343 e 1353. A falta de higiene, saneamento dificultou a contenção da Peste. A doença atingiu toda a China, Oriente Médio, Rússia e chegou até a Escócia. O poeta italiano Giovanni Boccaccio, que viveu durante o período, descreveu a peste dessa maneira:

Apareciam, no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o povo de bubões. Em seguida o aspecto da doença começou a alterar-se; começou a colocar manchas de cor negra ou lívidas nos enfermos. Tais manchas estavam nos braços, nas coxas e em outros lugares do corpo. Em algumas pessoas as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras eram pequenas e abundantes. E, do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte, também as manchas passaram a ser mortais.

3. Varíola

Mulheres americana fazendo fila para a vacina da varíola nos anos 60

A varíola é uma doernça que assolou a humanidade por muito tempo. Registros mostram que o faraó Ramsés II morreu vítima da smallpox, erradicada no planeta desde 1980 graças a uma grande campanha de vacinação. No entanto,  entre 1896 e até a erracadição – cerca de 300 milhões de pessoas morreram graças ao vírus.

Edward Jenner descobriu a vacina da varíola em 1796, a primeira vacina de todos os tempos. Apesar disso, a capacidade de vacinação global da doença, que tinha taxa de mortalidade de 30%, se manteve na humanidade até os anos 1980. Transmitida por via aérea, a varíola causa uma série de verrugas cheias de pus no corpo do infectado.

4. Tifo

Winston Churchill voltando ao Parlamento Inglês depois de se curar do Tifo

O surto de tifo matou mais de 3 milhões de pessoas entre 1918 e 1922. As condições pós-Primeira Guerra deixadas na Europa criaram um ambiente de miséria altamente propício para o desenvolvimento de doenças. Uma precária rede de saneamento e detecção acabou espalhando ratos por todo o continente, especialmente na Rússia.

O tifo tem origem similar à da peste bubônica. A transmissão é justamente originada de pulgas que morderam ratos infectados. Os sintomas são: dor de cabeça e nas articulações, febre alta, delírios e erupções cutâneas hemorrágicas.

5. Cólera

Charge mostra quarentena de cólera durante a epidemia na Itália

A cólera ainda não foi erradicada e matou ,entre 1817 e 1824, milhares de pessoas ao redor do mundo todo. Acredita-se que essa tenha sido de fato a primeira epidemia que alcançou todos os continentes, ao contrário da peste bubônica, que se manteve na Eurásia e Norte da África.

A bactéria da cólera libera uma toxina que provoca diarreia intensa e o portador pode acabar morrendo por desidratação. A proliferação é similar ao de poliomelite: água e alimentos infectados são a principal maneira de infecção. Segundo a OMS, 100 a 120 mil pessoas morrem todos os anos devido a doença, que poderia ser erradicada com vacinação e saneamento básico universal.

6. Tuberculose

Tratamento ao ar livre de pessoas com tuberculose no início do século passado às margens do Rio Tâmisa, em Londres

Os poetas românticos brasileiros tanto escreveram sobre o ‘Mal do Século‘ que você talvez tenha aprendido sobre o  surto de tuberculose que ocorreu entre 1850 e 1950. A doença ataca o sistema respiratório e acometeu milhões de pessoas no Brasil e no mundo. Acredita-se que mais de 1 bilhão de pessoas tenham morrido.

Causado por uma bactéria – bacilo de Koch -, a tuberculose só conseguiu ser eficientemente tratada pela penicilina, antibiótico descoberto por Alexander Fleming. Hoje, a doença é considerada controlada, mas ainda afeta regiões mais pobres do planeta e especialmente portadores de HIV.

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7. HIV

Freddie Mercury morreu de broncopneumonia, cujo tratamento foi impossível graças a AIDS

Desde 1980, acredita-se que mais de 20 milhões de pessoas tenham morrido devido a complicações  da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). Causada pelo vírus do HIV, que é transmitido sexualmente, a epidemia de AIDS começou na década de 1980 e continua a redor do mundo, especialmente porque nenhuma cura para a doença foi encontrada.

Existem duas prevenções para o HIV: camisinha e profilaxia pré-exposição (o PrEP). Entretanto, após o surto dos anos 1980 e a forte educação contra a AIDS, menos precaução tem sido tomada, o que causou um aumento de 21% dos casos no Brasil entre 2010 e 2018. Por isso, é importante ficar atento com a HIV, uma das maiores epidemias da história que perdura e ainda não tem cura.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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