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Drauzio Varella abraça mulher trans há 8 anos sem visita na prisão e emociona

por: Karol Gomes

“Que solidão, né minha filha?”, disse Drauzio Varella para Susy de Oliveira Santos, após ela responder, em entrevista para reportagem do médico ao Fantástico’, que não recebe visitas há quase oito anos. Logo depois, ele abraça Susy, ambos emocionados.

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A matéria especial exibida ontem no ‘Fantástico’ falou sobre mulheres trans encarceradas em presídios e comoveu a internet, especialmente pela humanização que Drauzio levou para as personagens das histórias contadas, algo difícil de se ver no jornalismo, assim como na sociedade brasileira.

Solidão em massa

Somente nos presídios paulistas, existem 700 mulheres trans. Ou seja: presas que nasceram num corpo de homem, mas são mulheres confinadas em cadeias masculinas. Uma população carcerária que enfrenta o preconceito, o abandono e a violência.

O doutor Drauzio Varella conhece bem essa realidade. Há décadas, ele trabalha como médico voluntário em penitenciárias. Nesta reportagem especial, relembrou os aprendizados em seu tempo atendendo no Carandiru, o maior presídio da América Latina até a rebelião e assassinato em massa por parte da polícia, que aconteceu em 1992.

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Dessa vez, ele pode mostrar a vida que mulheres trans levam nas prisões do Brasil. Uma história que começa num encontro com presidiárias trans no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, em São Paulo, o público conheceu a história de Susy e já está se mobilizando para tornar a sua vivência na prisão menos solitária.

A reportagem mostrou ainda que boa parte das mulheres trans que estão encarceradas no Brasil cometeram o crime de roubo e acabam recebendo penas quase tão severas quanto homens cisgênero que cometem tráfico, assassinatos e feminicídios.

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Muitas se prostituem logo que chegam na prisão para evitar serem agredidas, ate que ganham respeito entre seus colegas de cela e são deixadas em paz. Para refletir sobre como funciona o sistema carcerário brasileiro.

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Foto: Reprodução/TV Globo


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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