Debate

Felipe Neto ganha indenização e retratação pública de deputado que o ligou ao massacre de Suzano

por: Karol Gomes

O Carlos Jordy, do PSL do Rio de Janeiro, foi condenado pela Justiça do Estado do Rio de Janeiro a pagar R$ 35 mil ao youtuber Felipe Neto como indenização por danos morais. 

O deputado havia associado o influenciador digital ao “massacre de Suzano”, que aconteceu em 13 de março de 2019, na Escola Estadual Professor Raul Brasil no município de Suzano, no estado de São Paulo. Uma dupla de atiradores, Guilherme Taucci Monteiro e Luiz Henrique de Castro, ambos ex-alunos, invadiram a instituição e assassinaram cinco estudantes e duas funcionárias da escola

Na decisão, a juíza Bianca Ferreira do Amaral Machado Nigri, da 1ª Vara Cível da Barra da Tijuca, justificou a sentença afirmando haver “a ausência de comprovação de que o crime em Suzano tenha sido causado por jovens seguidores de Felipe Neto, bem como que tenha sido cometido por conta e por influência do autor e por não haver nexo de causalidade no alegado”. Ela também determinou que Jordy faça uma retratação pública.

Em comunicado ao jornal O Globo, o deputado Carlos Jordy afirmou que acredita numa reversão da decisão da juíza, afirmando que ela não respeitou sua prerrogativa como deputado e que está tranquilo. “Julgou errado, atropelando todo o rito, sem audiência de conciliação nem instrução”, afirmou.

Já Felipe Neto não faz questão da grana, apenas da reparação. O Instituto Marielle Franco, fundado com o objetivo de homenagear e seguir o trabalho da vereadora Marielle Franco, agradeceu a doação. Parte dela também foi direcionada para o projeto Ocupa Sapatão. 

Carlos Jordy também fez outros ataques a Felipe Neto: em setembro do ano passado, o deputado colaborou para levantar a hashtag #PaisContraFelipeNeto, em um tuíte dizendo que o influenciador digital havia distribuído 14 mil livros LGBTs na Bienal do Livro do Rio de Janeiro no ano passado – como se isso tivesse sido algo ruim

Extremamente conservador, Jordy pedia que os usuários das redes não permitissem que os filhos vissem o material contra suas “suas convicções morais”. 

Publicidade

Fotos: Reprodução / Instagram


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Modelo inicia campanha para ‘ver peles de verdade’ no Instagram