Diversidade

Forbes tem 1ª capa com gestante brasileira, mas realidade de grávidas no mercado é difícil

por: Karol Gomes


Cofundadora do banco digital NuBank, Cristina Junqueira é a primeira brasileira – e uma das primeiras do mundo – a aparecer grávida na capa de uma revista de negócios. Ela foi citada entre as 20 mulheres mais importantes do Brasil.

A publicação responsável é a Forbes Brasil, franquia da revista internacional focada em economia que prestigia, quinzenalmente, nomes que se destacam no mercado de trabalho.

A valorização das mulheres e o pagamento igualitário no mercado de trabalho são lutas ainda presentes e necessárias no movimento feminista. Como observou Daniela Cachich, VP de Marketing da PepsiCo e Foods Brasil e uma das 20 mulheres na reportagem da Forbes.

“Por mais que tentemos mudar isso, é bem difícil mesmo aceitar e entender que a trajetória de uma mulher pode ter muito impacto na sociedade, nas empresas e no futuro de muitas outras mulheres que desejam entrar no mercado de trabalho, em qualquer que seja o segmento, para continuar uma jornada que é ao mesmo tempo árdua e ao mesmo tempo cheia de recompensas e orgulho”, ela escreveu em seu perfil no Instagram.

– Fifa destina apenas 1% de sua verba para premiar mulheres

View this post on Instagram

Dizem que nós mulheres quando recebemos um reconhecimento, automaticamente tentamos justificar que não mereciamos, que não sabemos como recebemos tal reconhecimento, etc, etc. Por mais que tentemos mudar isso, é bem difícil mesmo aceitar e entender que a trajetória de uma mulher pode ter muito impacto na sociedade, nas empresas e no futuro de muitas outras mulheres que desejam entrar no mercado de trabalho, em qualquer que seja o segmento, para continuar uma jornada que é ao mesmo tempo árdua e ao mesmo tempo cheia de recompensas e orgulho. Orgulho acho que é a palavra que mais representa ser eleita como uma das Mulheres mais poderosas do Brasil pela @forbesbr. Não é o poder pelo poder, é o poder de transformar, de provocar, de impactar. Tentei fazer um filme da minha carreira e entender como cheguei até aqui. A verdade é que não consigo identificar um momento específico… eu só consigo lembrar de todas as barreiras que tirei da frente, de todos os mitos que fiz cair e do legado que eu posso deixar para meninas e mulheres acreditarem que elas podem chegar onde quiserem chegar. Obrigada @camarotti7 por exercer o He for She. Obrigada por acreditar que é preciso dar voz às mulheres para poder inspirar e incentivar mais mulheres 🖤

A post shared by Daniela Cachich (@danielacachich) on


Esta capa da Forbes é um marco pois, por anos, vemos revistas de negócios apenas reproduzindo a cultura de segregação do mercado de trabalho, ao invés de questioná-la. E, ainda que digna de celebração, a matéria colocou Cristina e as demais dezenove mulheres citadas em uma lista específica de gênero (listas mistas, com homens e mulheres sendo equiparados, ainda não são muito comuns).

Logo, o destaque conquistado por Cristina é ainda maior se considerarmos que ela aparece visivelmente grávida e falando de negócios, dois assuntos que o mercado de trabalho não gosta de associar. A primeira vez que isso ocorreu foi em agosto do ano passado, quando Audrey Gelman, CEO e co-fundadora do The Wing, foi capa da Inc. Magazine.

– Serena Williams torna-se a primeira atleta na lista das mulheres mais ricas do mundo

Uma pesquisa de 2018, realizada pela Catho com mais de 2,3 mil mães, afirma que 30% das mulheres deixam o trabalho para cuidar dos filhos – boa parte é demitida após a volta da licença maternidade ou escolhem sair da empresa por falta de flexibilidade de horários. Entre os homens, esse número é quatro vezes menor: 7%

Mas as mulheres brasileiras já provaram que são capazes de conciliar maternidade e trabalho há muito tempo. Entre 2005 e 2015, o número de famílias compostas por mães solo subiu de 10,5 milhões para 11,6 milhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de lares brasileiros chefiados por mulheres cresceu de 23% para 40% entre 1995 e 2015, de acordo com a pesquisa Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, de 2017, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

– ‘Hora de mulheres falarem e homens ouvirem’: O discurso histórico de Oprah Winfrey contra machismo no Globo de Ouro

Grandes empresas estão perdendo grandes profissionais para o empreendedorismo materno, que ainda acontece mais por necessidade do que por paixão, mas acontece pois as mulheres não são de ficar paradas esperando por oportunidades. Sabemos que, historicamente, elas vão e lutam por direitos.

Publicidade

Fotos: Reprodução / Forbes Brasil


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Primeira repórter indígena de rede de TV desmaia após reportagem em Manaus