Fotografia

Fotógrafa expõe seus filmes à eletricidade estática para falar sobre ansiedade

por: Gabriela Glette

Somente no Brasil mais de 18 milhões de pessoas sofrem de transtornos relacionados à ansiedade. No mundo em que vivemos, baseado no lucro, velocidade e alta produtividade, é cada vez mais difícil acalmar os ruídos da mente. Por isto, em sua série de auto-retratos, a fotógrafa Kate Miller-Wilson faz uma releitura deste sentimento de impotência e angústia, mostrando que, mesmo na ansiedade há beleza. Com a exposição de seus filmes à eletricidade estática, ela vem criando padrões incríveis que revelam aspectos que não podemos ver na fotografia comum.

eletricidade estática ansiedade 1

Sua arte, metafórica e poderosa fala sobre vulnerabilidade, força, criatividade e pensamentos internos. O interesse sobre transtornos mentais começou há 5 anos, quando a artista decidiu criar uma série de fotos sobre seu filho com autismo, que mais tarde tornou-se um livro. A partir daí, ela aprendeu a trabalhar em filmes de grande formato, dando um aspecto cinematográfico à sua arte.

eletricidade estática ansiedade 2

Ao ir no sentido oposto do que fotógrafos costumam fazer, Wilson cria uma arte única com aspectos claros de surrealismo. Fotógrafos e empresas de filmes trabalham duro para evitar estática nas fotos. Há alguns anos, vi uma foto com um choque estático acidental e achei muito interessante parecer um raio. Comecei a pesquisar como era possível chocar o filme com estática e decidi experimentar uma máquina Wimshurst para obter exposições duplas. Foi preciso muita experimentação, mas funcionou.”

eletricidade estática ansiedade 3

Inusitada, sua arte é terapêutica e é uma maneira autêntica de lidar com seus próprios sentimentos. Em tempos de transição planetária, crise sanitária e inversão de valores, a intenção da fotógrafa também é inspirar pessoas do mundo inteiro a usar a arte como escape e forma de compreender suas emoções. Como mãe de uma criança com autismo, luto com a ansiedade há muitos anos. Ao fotografar meu filho, aprendi que minha câmera pode ser uma ferramenta para acalmar minha mente, bem como uma ferramenta de conexão.

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Fotos: Kate Miller-Wilson


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!

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