Debate

França dá exemplo ao devolver para o Benim obras roubadas durante a colonização

por: Vitor Paiva

Por mais prazeroso e enriquecedora que seja a experiência de passear e aprender sobre outras culturas em corredores de museus, a verdade é que boa parte dos acervos das instituições europeias é fruto, direto ou indireto, de roubo. Praticada ao longo dos séculos de colonização, a apropriação de artefatos, obras de arte e materiais diversos de outras culturas foi a base da criação de museus no mundo todo, mas hoje, para reverter esses crimes centenários, alguns países começaram a tentar corrigir os erros do passado e, ao menos, devolver esses materiais aos seus países de origem. É o caso da França, que em 2018 retornou 26 obras de arte e artefatos ao Benim.

O país na África Ocidental foi colônia francesa entre 1892 e 1960, e as peças agora devolvidas estiveram em posse do governo francês por 126 anos. Trata-se de um passo importante porém ainda meramente simbólico, diante da real dimensão do problema: somente a França possui cerca de 90 mil peças de países África subsaariana. Vale lembrar que a França é somente um dos diversos países europeus que saquearam a África durante o período colonial – e que o roubo de artefatos é somente uma parte dos efeitos da colonização sobre esses países.

Estudos sugerem que a devolução seja feita em três passos: inicialmente, o retorno de peças simbólicas para os países originais. Em seguida, o estabelecimento de um vasto inventário internacional para documentar as peças roubadas e, por fim, o envio de pedidos de restituição por parte dos países africanos. A ideia do governo francês à época foi estabelecer um novo tipo de conexão cultural entre o país e a África, além de oferecer fundos para ajudar a financiar a construção de um museu no Benim – mas é importante que o gesto vá além, e se torne paradigma para devolver aos países colonizados o direito a ter acesso direto à sua própria história.

Publicidade

© fotos: divulgação


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Pai recebe enxurrada de críticas após vídeo com bebê de 6 meses em esqui aquático