Debate

Gripezinha? Campeão olímpico e ex-zagueiro do Milan narram pesadelo com coronavírus

por: Kauê Vieira

Medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012, o nadador Cameron van der Burgh fez um relato forte, mas que serve de alerta: jovens não estão imunes aos efeitos mais nocivos da Covid-19. 

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O sul-africano de 31 anos goza de um preparo físico de fazer inveja para qualquer pessoa. Atleta e dono de uma capacidade pulmonar gigantesca, ele declarou enfrentar problemas para fazer atividades simples. 

Ele, com este físico, penou com a Covid-19

Nas redes sociais, o nadador declarou que o novo coronavírus “é, de longe, o pior vírus que eu já encarei”, registrou em postagem feita na última segunda-feira (22). 

“Apesar de ser um indivíduo saudável, com pulmões  fortes (não fumar/praticar esportes), viver um estilo de vida saudável e ser jovem”, completou o atleta. 

Cameron, que venceu o ouro nos 100 metros rasos em Londres, faz um alerta: “A Covid-19 não é piada”. 

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“Ainda que os sintomas mais severos (febre alta) tenham diminuído,  sinto ainda um forte cansaço e uma tosse residual que não consigo me livrar. Qualquer atividade física, como andar, acaba me deixando exausto por horas”, encerrou. 

Outro depoimento que acende o sinal vermelho para os que ainda debocham da pandemia (o que vocês estão pensando?), é o do ex-zagueiro italiano Paolo Maldini. O antigo capitão do Milan disse que está bem e deve se recuperar dentro de uma semana. 

Maldini também está se recuperando do novo coronavírus

Mesmo assim, o ex-atleta de alto rendimento narrou os momentos mais difíceis que atravessou desde que testou positivo para a doença. 

“Como todos os atletas, eu conheço meu corpo. As dores são particularmente fortes, sentimos um aperto no peito. É um novo vírus, as lutas físicas contra um inimigo que não conhece. Tive os primeiros sintomas em 5 de março, dor nas articulações e músculos, 38,5 ° de febre, não fiz o teste até terça-feira e o veredicto de positividade chegou dois dias depois. Idem para o meu filho Daniel, que teve uma forma mais fraca”.

Bolsonaro na contramão

Os dois exemplos acima vão no caminho contrário do defendido pelo presidente da República do Brasil. Durante fala em rede nacional de rádio e TV, Jair Bolsonaro sugeriu a reabertura de escolas e ainda citou o seu histórico de ex-atleta para a minimizar o que chama de ‘gripezinha’

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“O que se passa no mundo mostra que o grupo de risco é de pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar as escolas?  Raros são os casos fatais, de pessoas sãs, com menos de 40 anos de idade”, disse ele. 

A comitiva de Jair Bolsonaro que foi aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump voltou ao Brasil com 23 infectados pela Covid-19. Bolsonaro, no entanto, afirmou que fez testes e não está com a doença. Ele, no entanto, não apresentou os resultados dos exames. No pronunciamento, que teve panelaços em várias cidades brasileiras, ele destacou o histórico de atleta. 

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar”, disse Bolsonaro, que tem 65 anos. 

“Nada sentiria ou seria acometido, quando muito, uma gripezinha  ou resfriadinho, como disse aquele bem conhecido médico, daquela conhecida televisão”, amarrou em ataque direto ao oncologista Drauzio Varella e ao Grupo Globo. 

O depoimento dos atletas e orientações do próprio ministro da Saúde demonstram que o novo coronavírus é sério e pode matar qualquer pessoa. O Brasil tem 46 mortos e ao menos 2.201 casos confirmados.

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Fotos: Getty Images


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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