Debate

‘Infodemia’ e Covid-19: fluxo de informações e saúde mental em tempos de pandemia

Yuri Ferreira - 13/03/2020 | Atualizada em - 16/03/2020

O coronavírus, também conhecido como Covid-19, está se espalhando ao redor do mundo. Segundo a OMS, já se trata de uma pandemia. Mesmo que a situação já tenha sido controlada na China, o novo epicentro da doença é a Europa e o número de casos ao redor do mundo tem aumentado de maneira exponencial, bem como as mortes causadas pelo Covid.

Com isso, sofremos um chuva de informação: o notícias falsas e verdadeiras se misturam e surgem a cada minuto, causando profunda desinformação e uma sensação de pânico terrível. É difícil entender quais medos são racionais e o que é pânico. A sensação que vivemos é cunhada como “infodemia“: a quantidade absurda de informações na mídia nos deixa terrivelmente aflitos e o pânico desmesurado se instala na população.

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Os impactos dessa avalanche informacional na nossa saúde mental são incontáveis. Um dos casos mais evidentes foi o de Ilze Scamparini, correspondente da Globo na Itália, que não segurou o choro ao relatar a situação do coronavírus na Europa.

Não há motivo pra pânico

No Twitter e no Facebook, nos grupos de Whatsapp e as notificações do nosso celular se tornaram monotemáticas. Começamos a ver as prateleiras dos mercados esvaziarem e centenas de pessoas de máscara nas ruas. Seus amigos deixam de sair para a rua e o número crescente de casos começa a ficar assustador. O Presidente da República fez o teste. Jornais declaram que ele está com o vírus. Horas depois, a informação é desmentida pelo governo.

Esse cenário – que se repete na Itália e nos EUA – pode nos deixar perdidos e com medo. Mas não, não há motivo para estocar comida ou se esconder por 20 dias em casa. É necessário ter um pouquinho de paciência e pensar coletivamente para que consigamos sair dessa epidemia com o menor dano possível.

“A gente vive numa sociedade super individualista e consumista. Temos um pensamento muito pouco coletivo e altruísta. Essa corrida ao supermercado chega a ser tragicômica. As pessoas estão sempre esperando o fim do mundo. Aí junta individualismo, consumismo, competição e uma cultura mundial absolutamente ansiosa que vive à base de medicação pra controlar esse estresse, essa combinação é bombástica. Junta com isso a virtualidade, fake news e uma manipulação de mercado. É um palheiro que tem tudo pra pegar fogo”, afirmou a psicóloga Vera Iaconelli em entrevista ao Café da Manhã da Folha de São Paulo.

A constante tensão causada por esse momento singular foi observada em menor escala em 2009, na epidemia de H1N1. Diversos estudos americanos alertavam para o impacto pós-traumático que esse tipo de fenômeno pode causar; além de casos de ansiedade – devido à infodemia – e depressão – causada pelo isolamento -, a sensação de pânico é aterrorizante.

Mas nem tudo é pânico, segundo o dr. Steven S. Coughlin, especialista em epidemiologia e tratamento psiquiátrico em veteranos em um estudo publicado na Public Health Review, o sentimento mais comum em momentos pandêmicos é o de solidariedade social. A colaboração da sociedade como um todo é essencial para a redução dos danos.

A dra. Vera Iaconelli ainda adicionou um fator interessante para essa complexidade: o vírus ter chegado especialmente em pessoas de elite. Influenciadores, membros do alto escalão do governo e até o Tom Hanks, o pânico vem de cima para baixo. Mas não há motivo para perder a linha, estocar comida ou comprar todas as máscaras cirúrgicas do mundo.

O Brasil tem um sistema de saúde capaz de lidar com a pandemia e não é necessário pânico: evite aglomerações de pessoas, lave suas mãos com frequência – assim como seu celular – e, caso esteja com alguma gripe ou resfriado, se isole em casa. Caso os sintomas persistam, visite um posto de saúde. Não há motivo para pânico.

Nesse artigo, a gente te dá 10 motivos que mostram que você não precisa surtar com o Coronavírus. Em meio ao caos, é importante ficar tranquilo para não acabar tendo problemas psicológicos posteriores (e pra imunidade não baixar).

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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