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Marcha das Mulheres une milhares em grito contra o fascismo e o machismo

por: Gabriela Rassy

Religiosas a favor do aborto, mulheres negras pela igualdade, mulheres trans pelo fim do machismo. A Marcha das Mulheres, que reuniu aproximadamente 10 mil pessoas na Avenida Paulista, em São Paulo, neste 2020, trouxe um respiro em meio a tantos retrocessos. Unidas com diferentes bandeiras, mas por causas que se não igual, mas parceiras, elas (nós, claro) pediram igualdade entre gêneros e liberdade em um grito contra o fascismo e o machismo.

As mulheres saíram em marcha ainda em outras 70 cidades do Brasil fazendo ecoar o grito de resistência ao machismo. A recente alavancada das ideias evangélicas e os ataques misóginos proferidos pelo presidente Jair Bolsonaro às mulheres fez com o que o político fosse o alvo principal das bandeiras. Além de sua saída, elas pediram principalmente o lugar de fala, equidade salarial e o acesso à saúde.

“Um dos temas mais importantes para nós é a saúde da mulher e da justiça reprodutiva. As mulheres precisam ter o direito de decidir serem mães e, quando decidirem interromper uma gravidez, que não sejam mortas por abortos com procedimentos clandestinos. Por isso somos católicas em defesa da legalização do aborto para uma reivindicação em defesa da vida das mulheres”, defende Tabata Tesser, do Católicas pelo Direito de Decidir. “Nós defendemos também o estado laico, para que nenhuma orientação religiosa guie as leis do Estado”, completa Solange Helena, também do movimento católico.

Para Tabata é fundamental que a religião seja um espaço que discute a vida das mulheres, a saúde da mulher. “A gente reivindica uma religião libertadora, que não oprima e que coloque as mulheres como pessoas capazes de decidir por suas próprias vidas. Por isso que não concordamos com a ministra Damares que, apesar de se justificar através da religião, o que ela faz é legitimar a condenação, a opressão e o controle do corpo das mulheres”, afirma.

Pensando também a religião como lugar de libertação, a mulher trans, mãe, professora, pastora e ativista pelos direitos humanos Alexya Salvador falou sobre a importância da sociedade na luta pela igualdade de gêneros. “Isso vai acontecer quando a família começar a desconstruir os conceitos dentro de casa. Se cobra muito dos movimentos e da religião, quando na verdade a família pode ser esse agente transformador ensinando que a menina não é submissa e que o menino pode sim lavar louça e não deixar de ser homem por isso. É luta por igualdade”

“O feminismo é hoje a garantia que nós, mulheres cisgêneras ou transgêneras, continuemos vivas, existindo e contribuindo por uma sociedade justa e igualitária. O feminismo hoje é a ação de Deus contemporâneo”
Alexya Salvador

 

Mulheres imigrantes, estudantes, negras e ativistas políticas engrossavam o coro na Avenida Paulista. “Lutar pela democracia e pela igualdade de direitos. Nada de flores no 8 de março. O que nós queremos é segurança, igualdade, ganhar um salário justo e ter reconhecimento acima de tudo”, disse Carmen Silva, líder do MSTC (Movimento Sem Teto do Centro).

Já Iara Bento, assessora parlamentar e integrante da Marcha das Mulheres Negras, nos mostra como a questão do racismo ainda é um embate maior ainda para as mulheres. “Para as mulheres negras, como a luta vem de longe, ela não tem fim. Para a gente chegar em igualdade com os homens e mulheres brancas e mesmo com os homens negros nós precisamos marchar muito. Nossa luta é cotidiana e persistente para diminuir a desigualdade”, disse.

“Precisamos estar sempre na resistência para que possamos defender nossas companheiras que deram a vida para que pudéssemos ter direitos. Direitos que conquistamos ao longo do tempo e que estamos perdendo perdendo gradativamente com esse governo fascista. Nesse momento a resistência é a nossa bandeira”
Iara Bento

Sempre presente em diversas cidades do Brasil, o Coletivo Juntas marcou presença na marcha pedindo um feminismo global. “A luta das mulheres não é uma luta só de um setor da sociedade. Queremos que as mulheres estejam no poder como um todo. Lutamos por direitos de acesso ao aborto legal, à bons empregos, à saúde e à educação pública, à espaços de poder na política”, apontou Luana Alves, psicóloga, integrante do Coletivo Juntas e da Rede Emancipa.

Mas será que a luta tem fim? Se Iara mostra que, para as mulheres negras esse passo está muito distante, Luana vê o sistema econômico como principal opressor a ser combatido. “A nossa luta não termina por que o machismo é enraizado na história da sociedade. O sistema baseado no capitalismo selvagem explora e pune as mulheres. Dentro de um novo sistema econômico, a gente acredita que a vida das mulheres pode melhorar. Mas a luta contra o patriarcado é eterna”, conclui.

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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