Inspiração

Nego Drama: a vida do ambulante que chorou com Mano Brown no Carnaval

por: Karol Gomes

O ambulante Diego Dart Cleisson Borges dos Santos, 34 anos, é a personificação do Nego Drama a quem Mano Brown se refere nas canções do Racionais MC’s no disco ‘Nada Como Um Dia Após o Outro’. Ele se sentiu emocionado, contemplado, homenageado, quando presenciou a passagem do seu ídolo pelo Circuito Barra/Ondina durante o Carnaval.

A internet viu o momento graças ao produtor cultural Zé Enrique Iglesias, que registrou a reação de Diego, que antes da entrada de Brown, estava apenas passando pelo local com seu isopor – e então, se transformou. 

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Além do trabalho como vendedor de cervejas, Diego também é rapper nas horas vagas e atende artisticamente por – adivinha? – Negro Drama. Morador de Fazenda Coutos 3, em Salvador, ele foi encontrado pelo Correio 24 Horas para contar sua história. 

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Ao jornal, Diego disse que vive, de fato, como o Negro Drama da música, “entre o sucesso e a lama”. Não ganha dinheiro com o rap, então faz bico em barracas de feira e como vendedor ambulante. Ele é o mais velho de uma família de sete filhos. Um dos irmãos, conta, está preso. “Infelizmente ele acabou se envolvendo (no crime), né?”, admite Diego, que diz ter se livrado desse destino graças às músicas dos Racionais. 

Quando você esbarra com o show do seu ídolo

Não é à toa que, diante de seu ídolo, ele saiu do personagem de Nego Drama e, contrariando a música, deu rosto e coração à multidão. Ele disse ao jornal que nem imaginava que Mano Brown faria uma participação no Carnaval naquela noite. Mas aí ele ouviu a voz rouca do ídolo ao longe.

O vocalista da banda baiana Afrocidade confirmou a suspeita de Diego: era Mano Brown naquele palco. A melhor parte do registro da emoção de Drama vem em seguida: ele resolve colocar em prática um dos versos da música: “Tim, tim, um brinde pra mim!”. Meteu a mão no isopor, pegou uma cerveja, abriu e tomou. “A gente tem que prestar contas da mercadoria, né? É tudo anotadinho. Mas na hora eu pensei: ‘Na boa, a patroa vai me perdoar, mas eu vou tomar uma cerveja’”, lembra Diego em entrevista para o Correio. 

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O Negro Drama de Fazenda Coutos diz que faz quase de tudo para garantir seu sustento de forma lícita. Ele conta que desde a infância sempre trabalhou na feirinha do bairro para ajudar a família. Na quinta-feira, Mano Brown postou o vídeo nas redes sociais. “Estar na Bahia é como estar no colo da minha mãe. Não sei como retribuir à altura”.  

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Fotos: Reprodução


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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