Debate

ONU: consumo elevado de carne responde por 70% de novas doenças em humanos

por: Karol Gomes


Ao todo, 70% das enfermidades surgidas desde a década de 1940 são de origem animal, assim como o coronavírus, que enfrentamos hoje. A afirmação é do relatório (em inglês) da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

O documento explica que o crescimento da população e a expansão agrícola têm mudado drasticamente como as doenças surgem, ultrapassam fronteiras e se espalham e cita doenças como HIV-1, encefalopatia espongiforme bovina, síndrome respiratória aguda grave (Sars) e novos vírus de gripe. Ásia e África são os continentes mais vulneráveis.

– Coronavírus: mulheres e universitárias, elas precisaram de 48h para sequenciar o Covid-19

A produção de alimentos de base animal é o coração da agricultura mundial hoje, segundo o documento. Um quarto da superfície terrestre é usada para o pasto de ruminantes, e um terço da terra arável é usada para o plantio de sementes para a pecuária, o que representa 40% da produção de cereais. A criação de animais usa mais terra do que qualquer outra atividade humana. Os principais produtos provenientes daí são leite, carne e ovos.

View this post on Instagram

Não estamos falando de nenhuma novidade… O relatório é de 2013 e o que mais choca, é a nossa falta de interesse em algo que fala tanto sobre o futuro do mundo, se não mudarmos a nossa forma de consumo, principalmente em relação aos produtos de origem animal. Esta imagem é de uma reportagem do jornal O Globo, sobre o relatório da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), mostrando que 70% das enfermidades surgidas desde a década de 1940 são de origem animal. O documento cita doenças como HIV-1, encefalopatia espongiforme bovina, síndrome respiratória aguda grave (Sars) e novos vírus de gripe. Ásia e África são os continentes mais vulneráveis. Se antes imaginávamos os riscos, hoje o mundo todo sente as consequências de uma pandemia que começou justamente com o consumo de carne. Mudar hábitos e parar de comer animais, não é só uma questão de compaixão com eles, com o próximo ou paladar, é questão de sobrevivência humana.

A post shared by 💚 Mulheres Veganas 💚 (@mulheresveganas) on


Ainda segundo a FAO, homens têm consumido mais carnes vermelha ou branca e também são os que mais se deslocam para outras regiões, aumentando, portanto, o volume de bens e produtos comercializados internacionalmente. Com isso, organismos que causam doenças viajam pelo mundo mais facilmente.

– Coronavírus: simulador ajuda a entender progressão da pandemia no Brasil

As mudanças climáticas, como alteração da temperatura, desequilíbrio das estações do ano e da duração dos períodos de chuvas, também influenciam o comportamento animal e biológico, provocando impacto sobre hospedeiros, vetores e patógenos.

E, dentro de um ciclo vicioso, a maior razão das mudanças climáticas acabam sendo as atividades dos humanos na terra, na produção agrícola, na exploração das florestas, na criação do gado e também com as mudanças climáticas.

– Cuidados com coronavírus no supermercado; veja o que de fato funciona

Diante desse cenário, o relatório explica que não é possível tratar a saúde humana, animal e o meio ambiente de forma isolada. A agência recomenda, assim, evitar as causas das doenças e não simplesmente combater as enfermidades após seu surgimento.

Consumo elevado de carne responde por 70% de novas doenças em humanos, segundo a ONU

Entre as medidas indicadas pela FAO, estão o fornecimento de alimentos de origem animal segura, vindos de gado saudável; a produção sustentável de sementes; a redução da pobreza, o controle das mudanças climáticas; a prevenção de que agentes de doenças da vida selvagem entrem em contato com animais domésticos e humanos.

Quem explica todo este ciclo de maneira didática é a especialista em saúde global Alanna Shaikh em sua palestra do TedX. Vale a pena conferir:

Publicidade

Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Coronavírus: operação prende suspeitos de fraudar venda de respiradores