Debate

Plano de demissão voluntária da Cinemark por coronavírus causa indignação

por: Karol Gomes

Quando se fala em quarentena e paralisações de atividades por causa da pandemia de coronavírus, é preciso pensar em relações de trabalho.

Nesta segunda-feira (17), o Brasil registrava 234 casos confirmados de cidadãos infectados pela Covid-19, sendo 152 deles em São Paulo, onde há transmissão comunitária, quando o vírus é passado entre pessoas residentes no mesmo local, sem precisar de uma pessoa vinda de fora do país. Entre as recomendações de segurança e contenção da contaminação, está a de encorajar as pessoas a ficarem em casa.

No fim de semana, os cinemas do Rio de Janeiro foram obrigados, por determinação do governo, a fechar suas portas por 15 dias. A medida visa evitar a proliferação da doença e garantir a segurança da população.

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Enquanto a rede Kinoplex antecipou as férias coletivas dos funcionários do estado, a rede Cinemark tomou medidas mais drásticas. A maior rede de cinema do país anunciou um Plano de Demissão Voluntária ou um Programa de Qualificação Profissional remunerado.

Os funcionários têm duas opções:

1. Plano de demissão voluntária, no qual será garantido ao funcionário o saque do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) sem o pagamento da multa rescisória.

2. Programa de Qualificação Profissional remunerado. O funcionário receberá ATÉ 80% do seu salário líquido e ficará em casa assistindo cursos profissionalizantes online.

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A medida não tem sido vista com bons olhos pelo público e nem é preciso ser um grande especialista em economia para notar: a empresa não está dispensando funcionários com preocupação na saúde coletiva, mas sim com foco principal em dinheiro – a ponto de conduzir o funcionário, que precisa do emprego, a pedir demissão se quiser fazer isolamento social.

Em nota, a Cinemark não deu detalhes das propostas oferecidas aos seus funcionários e se limitou a dizer que obedeceu “às determinações de diversas autoridades”  e que “iniciou diálogo com seus colaboradores e sindicato para encontrar de forma conjunta as melhores alternativas para a administração da crise sanitária e econômica”.

O incentivo nas redes sociais agora é de pensar no coletivo na hora de reformular as dinâmicas de trabalho. Diversas pessoas iniciaram uma campanha de conscientização para aqueles que contratam trabalho informal, como comerciantes, trabalhadores de aplicativos e diaristas, dispensaram os serviços, mas paguem pelo trabalho, evitando desfalque.

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Por isso essa publicação do Shopping Pátio Belém, que mostra uma idosa, que faz parte do grupo de risco de exposição ao coronavírus, limpando as instalações do shopping para que as lojas continuem recebendo visitantes, provocou revolta.

O trabalho informal atinge 40,7% da população brasileira já ocupada. O primeiro caso de transmissão comunitária no Rio de Janeiro foi de uma doméstica, que pegou coronavírus ao limpar a casa de um casal infectado que estava em quarentena.

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Foto: Getty Images


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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