Debate

Reino Unido recebe críticas após barrar passaporte sem gênero

Kauê Vieira - 11/03/2020

Autoridades britânicas vem sendo alvo de críticas após negarem o pedido de uma pessoa de 62 anos por um passaporte que oferecesse uma opção não-binária na definição de gênero. Com a negação do pedido de Christie Elan-Cane – que há 25 anos luta por reconhecimento social de sua identidade sem gênero – o documento do Reino Unido permanece oferecendo somente opções para o gênero masculino ou feminino. Juntam-se a Cane diversos grupos, ativistas e organizações a fim de pressionar o governo britânico a providenciar a alteração.

Efetivamente trata-se de um pequeno detalhe: a inclusão de uma opção inscrita como “X” para os não-binários. Para tal população, esse detalhe é a diferença entre a invisibilidade, a imposição e o reconhecimento e a representatividade. “É inaceitável que alguém que não se define como masculino ou femininmo tenha de declarar um gênero inapropriado para obter seu passaporte”, afirmou Cane – lembrando que a International Civil Aviation Organisation, agência de aviação da ONU, já reconhece a terceira opção, e portanto as máquinas de leitura já são compatíveis no país com o gênero X.

Christie Elan-Cane

A derrota de Cane na Suprema Corte foi defendida sob o argumento de que trata-se de um sistema coerente para o reconhecimento dos usuários, e de que seria um fardo e um custo desproporcional para beneficar pouca gente. Atualmente estima-se que 600 mil pessoas no Reino Unido se reconheçam como trans ou não-binários. Dez países já oferecem passaportes de gênero neutro: Austrália, Dinamarca, Canadá, Alemanha, Malta, Nova Zelândia, Paquistão, Nepal, Irlanda e Índia.

© Reuters/reprodução

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© fotos: Getty Images/Reuters


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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