Ciência

Uma onda de calor derreteu 20% da neve de uma ilha Antártica em 9 dias

02 • 03 • 2020 às 05:23 Mari Dutra
Mari Dutra Criadora do Quase Nômade, contadora de histórias, minimalista e confusa por natureza, com os dois pés (e um pet) no mundo. Chega mais perto no Instagram.

No início de fevereiro, a Antártica sofreu com uma onda de calor. O resultado foi o derretimento de aproximadamente 20% de toda a neve sazonal acumulada em uma de suas ilhas em apenas 9 dias.

O fenômeno ocorreu na Eagle Island e foi registrado através de imagens de um observatório capturadas pela NASA. A agência espacial americana divulgou imagens do local feitas nos dias 4 e 13 de fevereiro e a diferença é surpreendente.

No dia 6 do mesmo mês, o continente experimentou sua temperatura mais alta já registrada: 18,3ºC. A título de comparação, os termômetros da cidade de Los Angeles, nos Estados Unidos, marcavam os mesmos números neste dia. As temperaturas da água também estavam de 2ºC a 3ºC acima da média.

Um total de 10,6 centímetros de neve encontrados na ilha derreteu entre os dias 6 e 11 de fevereiro, o equivalente a cerca de 20% da acumulação sazonal. É a terceira vez nesta temporada que são registrados grandes derretimentos na região.

Mapa da Antártica mostra que a maior parte do continente registrava temperaturas entre -10ºC e -5ºC, embora algumas regiões próximas à costa tivessem temperaturas acima de 10ºC

Temperaturas registradas na Antártica no dia 9 de fevereiro. Imagem gerada por dados do GEOS-5

Embora seja comum em outras regiões gélidas, estes fenômenos não costumavam ocorrer na Antártica até o século 21. Apesar disso, cientistas ouvidos pela NASA destacam que este incidente sozinho não seria preocupante, mas sim o fato de que eventos similares vêm ocorrendo com cada vez mais frequência.

A água resultante dos derretimentos é uma das principais responsáveis pelo aumento do nível do mar. Estima-se que o continente sozinho poderia ser responsável por uma subida de 60 metros no nível da água, o que afetaria a vida de milhares de pessoas que vivem em áreas costeiras.

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Com informações do Earth Observatory da NASA.

Créditos sob as imagens.


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