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Urina de astronautas pode ajudar nos planos do homem na Lua; entenda

por: Vitor Paiva

A ideia de construir uma base habitável em pleno solo lunar fomenta livros e filmes de ficção científica desde os primórdios do gênero – mas nos últimos tempos esse sonho parece próximo de se tornar a próxima página de nossa realidade. Há, no entanto, entre a ficção e a vida real, um imenso e custoso trabalho necessário: segundo consta, o custo para se transportar apenas 450 gramas de qualquer material da Terra para a lua é de 10 mil dólares – mas tal dilema pode ser amenizado, quem diria, através da urina dos astronautas.

A lua fotografada da Apollo 11 © NASA

A sugestão foi publicada na revista científica Journal of Cleaner Production a partir de um estudo conduzido por cientista da Holanda, Espanha, Noruega e Itália em parceria com a Agência Espacial da Europa (ESA), e parte da hipótese de se utilizar o excremento humano como substância de base para produção de materiais de construção. A ideia é que a urina sirva como plastificante a fim de suavizar os materiais.

Criação artística do projeto de base lunar © ESA

“Para fazer o concreto geopolimérico que será usado na Lua, a ideia é usar o que já está lá: regolito (o material solto sobre a superfície lunar) e a água do gelo que está presente em algumas áreas”, explica Ramón Pamies, professor da Universidade Politécnica de Cartagena (Espanha) e coautor do estudo.

Conceito geral da base © ESA

A ideia foi testada na Terra, utilizando material parecido com o regolito lunar misturado à ureia presente na urina, para imprimir cilindros com impressoras 3D – e o resultado se revelou forte e estável, capazes de suportar grandes variações de temperatura e pesos elevados. Há ainda uma série de testes pela frente, além de outros custos e complicadores para o projeto – como níveis de radiação e choques de meteoritos. Há também uma natureza potencialmente predatória em já utilizar os regolitos do solo lunar para construção, mas o uso da urina sugere uma inclinação sustentável para se transformar esse antigo sonho futuristas em um presente literalmente lunático.

Marca da pegada de Neil Armstrong no regolito do solo lunar © NASA

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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