Ciência

A história do primeiro cometa ‘alienígena’ identificado no sistema solar

por: Vitor Paiva

No ano passado, todas as atenções do planeta se voltaram para um misterioso visitante: o cometa interestelar 21/Borisov. As 66 antenas que compõem o radiotelescópio Alma, no deserto do Atacama, no Chile, assim como o telescópio espacial Hubble e outros observatórios especiais miraram o cometa para detecta-lo como o primeiro cometa identificado vindo de outro sistema estelar, e o segundo corpo interestelar já registrado. Sua composição oferece informações importantes sobre o local de sua formação, conforme mostra reportagem da BBC.

Sugestão artística do cometa 21/Borisov © Divulgação

Duas moléculas foram identificadas no gás liberado pelo 21/Borisov: cianeto de hidrogênio (HCN) e monóxido de carbono (CO) – e se o cianeto de hidrogênio é encontrado em outros cometas em quantidades semelhantes, a grande quantidade de monóxido de carbono surpreendeu os cientistas: quantidades de 9 a 26 vezes maiores que um cometa comum de nosso sistema solar. Basicamente, ao observarmos o interior de um cometa vindo de fora do Sistema Solar pela primeira vez, percebemos como eles são diferentes.

Moléculas de cianeto de hidrogênio e de monóxido de carbono descobertas no 21/Borisov © Divulgação

Ainda que o CO seja encontrado no espaço e na maioria dos cometas, as quantidades variam profundamente entre corpos congelados. “Se os gases que observamos refletem a composição do local de nascimento de 21/Borisov, isso indica que ele poderia ter se formado, diferentemente dos cometas em nosso próprio Sistema Solar, em uma região extremamente fria e periférica de um sistema planetário distante”, diz Martin Cordiner, do Goddard Space Flight Center, da Nasa.

Acima, as antenas do Alma, no Atacama, e abaixo, o telescópio espacial Hubble © Divulgação

Antes do 21/Borisov, somente o Oumuamua, asteroide encontrado em 2017 visitando nosso Sistema Solar, havia sido detectado como um corpo vindo de outro sistema. Acredita-se que o 21/Borisov, com sua alta velocidade de 33 km/s os astrônomos acreditam foi lançado para fora de seu sistema de origem por um encontro com um planeta gigante ou uma estrela. Até o dia 20 de agosto de 2019, o corpo teria viajado por milhões ou mesmo bilhões de anos, solitário, pelo espaço, até surgir nas lentes do astrônomo amador Gennady Borisov, que primeiro o descobriu.

O asteróide Oumuamua, descoberto em 2017 © arte: NASA

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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