Ciência

Antártica: o continente gelado (hoje nem tão gelado assim) já foi uma floresta tropical

07 • 04 • 2020 às 18:11 Vitor Paiva
Vitor Paiva   Redator Vitor Paiva é jornalista, escritor, pesquisador e músico. Nascido no Rio de Janeiro, é Doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Trabalhou em diversas publicações desde o início dos anos 2000, escrevendo especialmente sobre música, literatura, contracultura e história da arte.

Quem vê a imensidão de gelo que é a Antártida pode imaginar que o frio e o branco sempre cobriram o continente ao nosso extremo sul, mas uma nova pesquisa sugere que essa máxima não poderia estar mais errada. Para além da ação humana que vem esquentando o planeta e derretendo o gelo antártico, 90 milhões de anos atrás o continente era coberto por uma imensa floresta tropical – com temperaturas em torno de 12º C.

© Pixabay

A descoberta foi possível através de um profundo buraco em solo antártico, que alcançou sedimentos do período cretáceo – e, junto deles, o que se descobriu foi diversos vestígios de raízes, fósseis, plantas e pólen. A conclusão é que a floresta na região era como é hoje a Nova Zelândia – e que os níveis de dióxido de carbono (CO2) eram muito mais altos do que se esperava. A temperatura mediana, mais quente do que é hoje, por exemplo, a Alemanha, era comum mesmo durante as noites polares.

Reconstrução artística da Antártida coberta por uma floresta há 90 milhões de anos © Alfred Wegener/Institut James McKay

Professora Tina Van de Flierdt e Dr. Johann Klages © T. Ronge / Alfred Wegener Institute

“Mesmo durante meses de escuridão, as florestas úmidas e temperadas foram capazes de crescer perto do Polo Sul, revelando um clima ainda mais quente do que esperávamos”, disse Tiva Van de Flierdt, uma das pesquisadoras, em comunicado. A descoberta não só revela muito sobre o passado e a temperatura do planeta de então, como também ilustra perfeitamente os efeitos radicais que o excesso de dióxido de carbono pode provocar.

O barco responsável pelo buraco © Karsten Gohl / Alfred Wegener Institute

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