Ciência

Antártida: o que o único continente livre do coronavírus pode ensinar sobre isolamento

por: Vitor Paiva

Desde que foi identificado como uma pandemia, em meados de março, o coronavírus já se espalhou por todo o mundo, com casos registrados nos mais remotos pontos do planeta e em praticamente todos os continentes – menos um: no congelado continente da Antártida o coronavírus não chegou. Para as poucas mais de 100 pessoas que vivem por lá, manter o vírus longe é fundamental, já que os recursos hospitalares são escassos, e cada movimentação de chegada ou saída do continente é trabalhosa e complexa.

Bases na Baia da Esperança, na Antártida © Andrew Shiva/Wikipedia

Uma reportagem da BBC levantou em maiores detalhes a dinâmica dos moradores da Antártida em tempos de quarentena: por lá, os cuidados são tão ou mais rigorosos do que os que devemos manter no resto do mundo. Não existem testes na Antártida, e somente um hospital com dois enfermeiros e um clínico geral atendem eventuais casos médicos – uma pessoa contaminada teria de ser transportada para o sul do Chile, e cada chegada ou saída de um avião ou navio não só enfrenta a complexidade das temperaturas extremas como, nesse momento, representa mais uma abertura para o transporte do vírus para o continente.

Avião da Força Aérea dos EUA pousando na Antártida © Sgt. Shane A. Cuomo

Bases uruguaias no continente © artigs

Não por acaso, o último navio chegou à Baia de Fildes, onde encontram-se bases de diversos países, no último dia 03 de março (levando alimentos não perecíveis para o resto do ano) e o último avião saiu da Antártida no dia 26 de março – e o continente permanece totalmente isolado. As interações entre os moradores, fundamentais para a situação de natural isolamento que já se encontram naturalmente, cessaram: a base chinesa foi esvaziada e fechada, e cada coisa que chega do “mundo” para a Antártida é inspecionada, desinfetada e lavada. Mais do que enfrentar as temperaturas congelantes, para os cientistas que vivem no continente gelado, é preciso hoje enfrentar a quarentena dentro da quarentena.

Outras bases na Baia © Wikimedia

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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