Ciência

Atila Iamarino comenta estudo que prevê distanciamento social intermitente até 2022

por: Redação Hypeness

Quase 50 dias desde que o primeiro caso de coronavírus foi confirmado no Brasil, ainda não há certeza com relação ao fim da da quarentena, recomendada para conter a propagação da Covid-19 no país. Há cerca de dez dias, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), projetou o retorno à normalidade para “quem sabe em agosto”. Já o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), chegou a falar em preparação para “uma crise de seis meses” no estado. Em Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) mudou de posição nas últimas semanas e passou a falar em afrouxamento do isolamento social, mas seu secretário de Saúde avisou ontem que “não dá para pensar em vida normal antes de junho”. Por fim, o Ministério da Saúde estima que as recomendações possam permanecer até agosto.

Enquanto isso, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, um estudo assinado por pesquisadores especializados afirma que estratégias intermitentes de distanciamento social talvez precisem ser empregadas até 2022 para evitar que o novo coronavírus continue a colocar em risco os sistemas de saúde mundo afora.

– Quarentena provocada pelo coronavírus mudou movimento da Terra

Na pesquisa, que acaba de sair na revista Science, a equipe liderada por Marc Lipsitch, do Departamento de Epidemiologia da instituição americana, usou dados sobre o Sars-CoV-2 e sobre outras formas de coronavírus para tentar simular uma enorme variedade de cenários de evolução da Covid-19 ao longo dos próximos anos, chegando até 2025.

– Coronavírus: Universidades desenvolvem teste 100% nacional e que dá resultado em 5 minutos

Tudo pode depender das pessoas que já foram contaminadas pelo vírus e se recuperaram – embora pouco se saiba sobre a imunidade dessas pessoas. Mas o estudo afirma que, considerando tudo o que se sabe sobre os derivados do vírus, que circularam ou ainda circulam pelo planeta, a resistência ao parasita, criada por uma primeira infecção que o organismo debelou produzindo anticorpos, será temporária, durando apenas um ou dois anos.

Nessas condições, a tendência é que o novo coronavírus, Sars-CoV-2, passe a circular todos os anos, ou a cada biênio, tal como outros coronavírus que hoje causam formas de resfriado mundo afora (em geral, com sintomas leves ou moderados).

O brasileiro que já havia chegado perto dessa estimativa foi Atila Iamarino. O biólogo foi um dos primeiros a destacar as implicações do modelo matemático sobre a propagação do novo coronavírus feito por pesquisadores do Imperial College de Londres. Extrapolando os dados britânicos para o Brasil, ele alertou que, se nada fosse feito, havia o risco de que mais de 1 milhão de pessoas morressem no país por causa da Covid-19.

– ONU: consumo elevado de carne responde por 70% de novas doenças em humanos

“Por até dois anos, vamos ter de alternar períodos de abertura e quarentenas”, ele disse em entrevista para a Folha no início de abril. Depois da divulgação dos estudos de Harvard, ele voltou a falar sobre esta estimativa, por meio de seu perfil no Twitter.

“Com imunidade permanente, se ninguém pega o vírus mais de uma vez, ele desapareceria em 5 anos. Sem imunidade permanente, não se tem perspectiva de quando ele some. Ainda não sabemos qual o caso e o próprio estudo recomenda testes de imunidade das pessoas para saber melhor”, destacou o biólogo em um de seus comentários na rede social.

Os pesquisadores também simularam os efeitos das medidas de distanciamento social — fechamento de escolas, eventos, comércio, restrição da circulação etc. — sobre o avanço da doença e a sobrecarga do sistema de saúde. Um dos indicativos importantes é que o distanciamento social radical, se realizado uma única vez e por um período relativamente curto, talvez traga resultados piores, porque ele acaba “reservando” uma grande população de pessoas suscetíveis, sem que haja chance de algumas delas desenvolverem defesas.

– Coronavírus: simulador ajuda a entender progressão da pandemia no Brasil

Assim, quando o contato com o vírus retorna, o pico de casos pode ser mais abrupto. Nas simulações, fases de distanciamento social longas (20 semanas de duração) e com efetividade moderada são as que mais conseguem reduzir o tamanho total e os picos da doença.

As ruas vazias de São Paulo mostra a mudança de rotina na cidade, em função da quarentena

Também vai ser preciso saber como a imunidade ao Sars-CoV-2 realmente funciona e entender o impacto de medidas como medicamentos e vacinas (por ora, não há nada confiável, apesar dos muitos testes). Vai ser crucial testar cada vez mais pessoas para determinar a presença de anticorpos contra o vírus e saber calibrar o “abre e fecha” do distanciamento social com base na proporção de novos casos e de leitos de hospital e UTI na população de cada país, destacam eles.

– Astronauta com 1 ano de experiência no espaço dá dicas para quarentena

Os pesquisadores ressaltam ainda que seu objetivo não é recomendar políticas específicas, já que é preciso considerar também fatores econômicos e sociais. O único jeito de calibrar melhor as medidas vai ser obter mais conhecimento, a começar por dados sobre o comportamento do vírus em regiões tropicais como o Brasil – eles ressaltam que seus dados valem para as áreas temperadas da Terra.

Sobre isso, Atila também comentou: “Usando os dados de contágio atuais, projetam que o vírus pode circular a qualquer momento, em qualquer estação do ano. Calor poderia até atrapalhar a transmissão, mas não o suficiente para ajudar. Vide Manaus quente e úmida, mas entrando em colapso de saúde”.

Publicidade

Fotos: Getty Images


Redação Hypeness
Acreditamos no poder da INSPIRAÇÃO. Uma boa fotografia, uma grande história, uma mega iniciativa ou mesmo uma pequena invenção. Todas elas podem transformar o seu jeito de enxergar o mundo.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Por que pelo de rato e pedaços de insetos em molhos e alimentos são tolerados pela Anvisa