Arte

‘BBB’: conheça o grupo de teatro que revelou o talento de Babu Santana

por: Vitor Paiva

Antes de se tornar um dos personagens mais carismáticos e queridos da última edição do Big Brother Brasil, o carioca Babu Santana, como orgulhosamente deixou claro sempre que pôde dentro do programa, já era um dos mais reconhecidos atores de sua geração. Sua origem é no teatro, mas não somente: no teatro na favela – mais precisamente no grupo Nós do Morro, criado em 1986 pelo ator e diretor Guti Fraga no Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro.

O ator carioca Babu Santana © reprodução

O grupo nasceu para oferecer formação técnica para os jovens do Morro do Vidigal – comunidade onde Babu nasceu e cresceu. Em 1997 o ator começou a participar do Nós do Morro, a partir de onde viria a se tornar um dos mais ativos e reconhecidos atores de sua geração. Mas não somente: no grupo se aprendia de tudo, do figurino ao cenário, passando pela cenografia, a direção, até a atuação – todos eram estrelas, assistentes, faxineiros e montadores no Nós do Morro, que aos poucos ganhou teatro fixo no Vidigal para se tornar um dos mais relevantes projetos sociais e grupos de teatro do país.

Guti Fraga, fundador do Nós do Morro © reprodução

Não é, portanto, por acaso que Babu ostenta uma grande tatuagem com o símbolo do grupo em seu braço: a partir de seu trabalho com o Nós do Morro, o ator viria a trabalhar em mais de 40 filmes dentre os mais reconhecidos no cinema nacional dos últimos anos – como Cidade de Deus (2002), Quase Dois Irmãos (2004), Batismo de Sangue (2006), Estômago (2007), Meu Nome não é Johnny (2008) até, entre muitos outros, Tim Maia (2014), no qual interpretou o lendário cantor brasileiro. Além de Babu, do Nós do Morro vieram também artistas como Roberta Rodrigues, Cintia Rosa, Luciano Vidigal, Thiago Martins, Jonathan Haagensen e Leandro Firmino, entre muitos outros.

Babu vivendo Tim Maia no cinema © reprodução

Após sua participação e quarta colocação no BBB 20, Babu Santana tornou-se símbolo não só da maneira com que artistas no Brasil são tratados em sua maioria, mas principalmente como grandes atores negros, mesmo com um currículo impecável e invejável, acabam vítimas do preconceito e de um isolamento muito mais grave que o social. Do mesmo modo, é fundamental o fomento e a valorização de iniciativas como a do Nós do Morro, para que não só a cultura sirva como possibilidade de formação e futuro para jovens periféricos, como também para permitir o surgimento de grandes artistas como Babu Santana, entre tantos outros.

A tatuagem de Babu em homenagem ao grupo © arquivo pessoal

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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