Ciência

Ciência forense vai ajudar na identificação de mortos na ditadura militar

por: Kauê Vieira

Os números oficiais registram o assassinato ou desaparecimento de 475 pessoas pelas mãos do estado brasileiro durante o período da ditadura militar. Não é preciso muito esforço, porém, para concluir que esse número, fornecido justamente pelos que mais tem interesse em amenizar a sombria realidade do período, é somente a sombra do que de fato aconteceu – a verdade é que, entre casos não contabilizados, abafados pelo estado ou simplesmente apagados do registro oficial, o número de vítimas da ditadura no Brasil é muito maior. Em meio às frias estatísticas, muitos desaparecidos jamais foram encontrados ou identificados, e para isso uma força tarefa de ciências forenses foi estabelecida em São Paulo.

Manifestação contra a ditadura © Casa Fora do Eixo: Minas/Flickr

O trabalho foi iniciado em 2014, a partir da criação do Centro de Antropologia e Arqueologia  Forense (Caaf), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), como parte do Grupo de Trabalho Perus, que vem organizando 1047 caixas com ossadas de 1,3 mil diferentes indivíduos. Em meio a esses restos mortais estariam ao menos 39 desaparecidos políticos do período no Brasil, já apontados pelos especialistas, que teriam sido assassinados e enterrados com identidades falsas durante a ditadura. Os 39 mortos mencionados jamais foram encontrados pelas famílias.

Monumento contra a tortura no Recife © Wikimedia Commons

Para a realização do trabalho, é preciso recolher informações da vida dos desparecidos, limpar as ossadas, analisar características específicas dos esqueletos e, por fim, realizar possíveis testes de DNA. Para realizar a comparação é necessário que a família ofereça amostras do desaparecido, para assim responder a uma das mais dolorosas questões possíveis – utilizando a ciência forense para jogar mais luz sobre um dos mais sombrios momentos da história brasileira.

Ossadas da vala dos Perus © Divulgação

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© fotos: créditos


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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