Ciência

Cientista aprovado em 1º lugar perde bolsa de pesquisa enquanto estudava o coronavírus

por: Redação Hypeness

O atual projeto do biomédico Ikaro Alves de Andrade, do Instituto de Biologia (IB) da Universidade de Brasília, é o sequenciamento genético dos casos do novo coronavírus no Distrito Federal

Estudos deste tipo estão sendo feitos em todo o Brasil, e são fundamentais para entender o comportamento da epidemia. Nos últimos dias, acelerou-se do contágio da Covid-19 no Brasil. Na tarde desta terça-feira (31), o Ministério da Saúde anunciou que o país confirmou 1.138 novos casos, um recorde. Ao todo, são 5.717 infecções confirmadas no Brasil, e 201 pessoas morreram em decorrência da doença. Desses óbitos, 136 ocorreram no Estado de São Paulo.

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Contudo, a continuidade dos estudos de Ikaro está ameaçada: no começo da semana passada, ele descobriu que não poderá contar com uma bolsa de estudos. Aprovado em 1º lugar no programa de doutorado em biologia microbiana da UnB, o pesquisador contava com os recursos da bolsa paga pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). No doutorado, a bolsa é de cerca de R$ 2,2 mil mensais. 

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Em entrevista à BBC Brasil, ele falou sobre a frustração de ter o seu trabalho interrompido: “Fiquei sabendo (que não teria bolsa) alguns dias atrás. Primeiro fiquei sabendo da Portaria 34 (da Capes), e que estávamos sofrendo sucessivos cortes de bolsas. Depois, liguei para a coordenação do meu curso, perguntando. E aí me disseram que as bolsas estavam comprometidas (cortadas)”, contou na tarde da terça-feira (31 de março).

A Portaria 34 a que Ikaro se refere é uma decisão da Capes publicada no dia 18 de março deste ano. O ato mudou os critérios para a concessão de bolsas de pesquisa no país — mas o órgão nega que ele tenha resultado em cortes no número total de pesquisadores apoiados. Em nota publicada em seu site, a Capes disse que 20% dos cursos de pós-graduação do país viram o número de bolsas de estudo cair, mas em 42% dos cursos de mestrado e doutorado, o número de pesquisadores que recebem bolsa subiu. Em relação ao ano passado, são 3,3 mil bolsas a mais, diz a Capes. O número total passou de 81,4 mil bolsas para quase 85 mil, segundo o órgão.

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“Por ser nota 4, (o curso) não receberá nenhuma bolsa da ação emergencial (de enfrentamento ao coronavírus)”, diz a nota da Capes para a BBC Brasil, que afirmou ainda que “o programa de pós-graduação de Ikaro ficou sem bolsas por ter nota 4 na avaliação da instituição”. A instituição ressaltou que Ikaro não “perdeu” nada, apenas ficou sem o incentivo porque seu curso não obteve bolsas.

Os critérios da fundação, porém, são questionados por alguns: um integrante da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério Público Federal (MPF) recomendou à fundação que revogue a portaria. Já a associação dos estudantes de pós-graduação, a ANPG, disse que a medida contribuiu para concentrar as bolsas nos cursos com nota cinco.

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Foto: Arquivo Pessoal


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