Ciência

Cientistas revelam mutações genéticas que diminuem o tempo de vida

por: Yuri Ferreira

Uma equipe de pesquisadores russos em parceria com a Universidade de Harvard fizeram uma importante descoberta acerca da expectativa de vida dos seres humanos. Eles estudaram um banco com sequências genéticas de mais de 40 mil pessoas para entender qual o impacto da herança genética no tempo médio de vida das pessoas. Os resultados indicam que, além dos hábitos de alimentação e saúde das pessoas, uma série de mutações genéticas podem diminuir a expectativa de vida um indivíduo.

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Condições genéticas específicas herdadas podem levar à redução do tempo de vida de uma pessoa

O estudo, publicado na eLife Sciences, utilizou um banco de dados genéticos britânico e estudou diversas mutações genéticas e seus impactos no tempo de vida dos seres humanos. Ainda que os fatores preponderantes para a expectativa de vida sejam os comportamentos ao longo da vida, eles compreenderam o porquê de pessoas com código genético similar, como gêmeos, tendem a ter um tempo de vida relativamente parecido.

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Segundo os pesquisadores, boa parte das mutações genéticas que ocorrem ao longo da vida são causados por fatores externos, como exposição ao Sol, alimentação e condições de trabalho. Entretanto, se a pessoa possui uma combinação de diversos códigos genéticos, sua expectativa de vida pode ser reduzida bastante. Cada mutação, em tese, pode reduzir o tempo de vida útil por metade de um ano.

“A combinação exata é importante, mas, em geral, cada mutação diminui a vida útil em seis meses e a ‘saúde’ em dois meses”, afirmou Vadim Gladyshev, que assina o estudo, à revista Science. O cientista ressaltou, entretanto, que o estudo, apesar de controverso, não nega o fato de que os principais fatores para uma longa expectativa de vida são exteriores ao DNA.

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A pesquisa mostra que o código genético tem menos um terço de relevância na expectativa de vida de um ser humano. Apesar disso, se a pessoa combinar mais de 6 mutações descobertas pelos cientistas, o seu tempo de vida pode ser reduzido consideravelmente, antes mesmo até do desenvolvimento de doenças graves.

O estudo foi financiado pelo Gero LLC., uma empresa russa que busca combinar inteligência artificial com a redução do envelhecimento. A start-up moscovita possui uma equipe de pesquisa e desenvolvimento que pretende promover soluções contra a velhice através de dados genéticos através de uma plataforma de AI.

“Nossa conclusão é que mutações genéticas raras, tanto herdadas quanto acumuladas ao longo da vida, contribuem para o envelhecimento. Além disso, a carga de variações raras em combinação com alelos comuns podem explicar a herdabilidade da expectativa de vida”, afirma a conclusão dos pesquisadores no estudo.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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