Debate

Coreia do Sul diz que Kim-Jong-un ‘está bem’ em resort e deixa mundo confuso

por: Vitor Paiva

São muitos os mistérios que rodeiam não só a Coréia do Norte como um todo, mas principalmente seu líder, Kim Jong-Un, assim como os mandos e desmandos de seu regime. A nova especulação sobre Kim Jong-Un, de 36 anos, porém, pode ser a última: desde a semana passada que a imprensa internacional suspeita que o ditador coreano esteja em estado grave de saúde, em coma ou mesmo morto. As suspeitas começaram quando Kim faltou pela primeira vez às comemorações públicas no último dia 15 pelo aniversário de seu avô e fundador do país, Kim II-Sung.

O ditador norte-coreano Kim Jong-Un © AFP PHOTO/KCNA VIA KNS

A última aparição do líder na mídia estatal norte-coreana havia sido no dia 11, e com isso rapidamente a imprensa do mundo começou a divulgar que Kim Jong-Un estaria em estado grave. As especulações são muitas: o “líder supremo” da Coréia do Norte teria se submetido a uma cirurgia cardiovascular ou mesmo teria contraído a covid-19 – outros afirmam que o sumiço do ditador seria justamente para evitar o contágio, ainda que “oficialmente” o número de casos no pais seja zero.

Rapidamente conselheiros e ministros da Coréia do Sul vieram à público afirmar que Jong-Um estaria vivo e saudável, em um resort na costa do país desde o dia 13 – o motivo do isolamento seria mesmo por precaução, e jornais sul-coreanos confirmaram que um segurança do líder teria contraído a covid-19. Outros jornalistas, alguns desertores da própria Coréia do Norte, afirmam que as duas narrativas se complementam: Kim Jong-Un estaria se recuperando do procedimento cardiovascular e aproveitando para evitar um possível contágio pelo coronavírus.

A movimentação dos barcos de luxo registradas por satélite © AFP PHOTO

Essa não é a primeira vez que Kim desaparece dos holofotes públicos: em 2014 o líder ficou um mês “desaparecido”, até ressurgir, mancando, em imagens de vídeo. Imagens de satélite, porém, mostraram movimentações de barcos de luxo, normalmente utilizados pelo ditador, na região de Wonsan, na costa leste do país, que indicariam a presença de Kim por lá – críticos, porém, afirmam que tal movimentação é mera encenação para justamente despistar o desaparecimento do “líder supremo” do país.

© Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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