Matéria Especial Hypeness

Coronavírus: fotógrafo registra o vazio do Centro de São Paulo durante a quarentena

por: Yuri Ferreira


São Paulo é a cidade brasileira com o maior número de pessoas infectadas por coronavírus. Tanto o Governo Estadual quanto a Prefeitura ordenaram o fechamento da maioria dos comércios como uma maneira de reduzir a circulação de pessoas para prevenir uma catástrofe sem precedentes no sistema de saúde brasileiro. O fotógrafo Felipe Alves registrou de dentro de seu carro como está o Centro de São Paulo durante a quarentena.

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Entregadores de serviços como Rappi, Uber e Ifood se mantém nas ruas durante a quarentena

“O que me motivou foi a curiosidade de ver uma cidade monstruosa como São Paulo vazia, queria ver o que sobrava disso tudo, qual era a vida sendo vivida. Todos os lugares me chocaram de alguma forma, principalmente porque o isolamento deixou mais aparente o contraste social gritante. Tem gente que simplesmente não pode sair da rua”, contou Felipe Alves ao Hypeness.

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Em meio à quarentena, população de rua pode ser invisibilizada. Como ficar em casa quando não se tem uma?

“Muitas vidas ainda estão sendo vividas. A maioria das pessoas que estão pelas ruas do centro muito comprometidas em conseguir sobreviver. Tanto os motoboys que trabalham por aplicativos quanto as pessoas em situação de rua que precisam arranjar comida e não tem auxílio”, conta.

São Paulo tem quase 25 mil moradores de rua segundo o Censo 2019. Cerca de 31% da força produtiva é composto de trabalhadores informais, que receberão um auxílio de R$ 600 do Governo Federal durante a quarentena forçada pelo coronavírus, caso o Governo Federal aprove o projeto que passou de forma unânime no Congresso Nacional. O valor aumenta para mãe solteiras, que receberão R$ 1200.

As imagens assustadores revelam a gravidade da situação e o clima quase apocalíptico que o epicentro do coronavírus no Brasil vive

“Queria captar a visão de um motorista se deparando com uma cidade adormecida.”

 

Moradores de rua e motoboys dividem o espaço público enquanto a maioria dos trabalhadores de escritório se mantém em casa

Antes tão fervilhante, a muvuca regurgitante que se cruzava em aceleração incessante nas calçadas e ruas de São Paulo parou. E uma monstruosa megalópole vazia e silenciosa aguarda pelo fim da pandemia. A melancolia das ruas vazias pode assustar quem está acostumado com uma Nove de Julho transbordando de carros. Segundo o Ministério da Saúde, a retomada da normalidade está prevista para o mês de setembro.

Viaduto Dr. Plínio de Queirós, na região da Bela Vista, geralmente lotado de carros, completamente vazio

Até o dia 31 de março de 2020, São Paulo registrava 98 mortes por coronavírus, mais de 200 internações em UTIs e mais de 1500 casos. Segundo o Governador João Dória, a curva da crise já está sendo achatada, mas a subnotificação e falta de testes – reconhecida pelo próprio Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta – preocupa milhares de brasileiros.

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Praça Roosevelt, usualmente tomada por skatistas e jovens, esvaziada durante a quarentena de coronavírus

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Fotos: © Felipe Alves


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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