Sustentabilidade

Coronavírus não muda realidade da Amazônia e desmatamento sobe mais de 200%

por: Yuri Ferreira

Enquanto ao redor de todo o mundo os níveis de poluição caem devido ao isolamento social e a redução da atividade econômica causada pelo coronavírus, um índice importante para a conservação do planeta – o desmatamento da Amazônia – não está apresentando resultados positivos. Segundo o Instituto Imazon, responsável por um monitoramento da desflorestação de um dos mais importantes biomas do planeta, a área desmatada em março na Amazônia aumentou em comparação ao ano passado.

Em meio ao novo coronavírus, o desmatamento cresce coloca em risco a vida dos povos indígenas

De acordo com o Sistema de Alerta de Desmatamento do Instituto, que mapeia o desmatamento através de diversos satélites, o desmatamento na Amazônia cresceu 279% em março de 2020 se comparado com março de 2019. O índice é o mais alto desde 2018. Aparentemente, a pandemia não impediu os grileiros e madeireiros de expandir o processo de destruição do Planeta.

No período entre agosto de 2019 e março deste ano, os índices de devastação da floresta cresceram 72% em comparação com o período anterior. Os Estados que mais desmatam são, em ordem, Amazonas, Pará, Mato Grosso, Roraima e Acre.

Relatório do SAD mapeia a intensidade do desmatamento na região amazônica

Em nota oficial,  o Imazon diz que “uma parcela desse aumento pode estar ligado ao avanço de áreas ilegais de garimpo e ainda à intensa atuação de grileiros.”

Outra importante informação trazida pelo Instituto é o índice de desmatamento em Terras Indígenas. As reservas que mais foram desmatadas foram a TI Yanomami (AM/RR), Alto Rio Negro (AM) e Évare I (AM).

Além da questão acerca da devastação da floresta nessas áreas, existe um grande risco de saúde às populações nativas, que tem maior vulnerabilidade à contaminação pelo novo coronavírus (além de acesso a leitos hospitalares muito mais difíceis) quando entram em contato com grileiros e garimpeiros, que são, em muitos casos, responsáveis pelo desmatamento. Nos últimos dois dias, o número de indígenas infectados pela covid-19 cresceu 154%.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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