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Coronavírus: no Dia da Mentira, nada melhor do que desmascarar fake news sobre a pandemia

Yuri Ferreira - 01/04/2020

A avalanche de informações sobre a Covid-19 e a rapidez das redes sociais fez com que milhares de fake news se espalhassem de maneira epidêmica nas redes sociais. Essa chamada infodemia pode ser bastante perigosa e causar danos reais para a população, por isso, é sempre importante checar o que você repassa nas redes sociais. De informações falsas vindas de autoridades até receitas milagrosas que se espalharam por dentro da população, milhares de mentiras tem sido enviadas. No Dia da Mentira, vamos tentar explicar algumas das principais notícias falsas que andam circulando sobre a pandemia de coronavírus.

Antes de a gente dar uma olhada nas principais mentiras, é importante saber que até o presente momento, nenhum remédio tem eficácia comprovada contra o coronavírus e que nenhuma vacina contra o vírus foi criada até então.

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Coronavírus: informações falsas tem se espalhado de maneira epidêmica pelas redes sociais durante tempos de pandemia

Álcool em gel caseiro

Nas redes sociais, milhares de pessoas tem compartilhado receitas mirabolantes para produzir álcool em gel caseiro e alguns espertinhos tem até comercializado o produto. A principal delas é uma mistura de gelatina incolor com álcool líquido normal, o que não tem eficácia alguma, tendo em vista que o principal motivo para se utilizar o produto é que o gel contém a evaporação do etanol. A gelatina não tem essa propriedade, e portanto, além de poder causar queimaduras em sua pele e não ser regulado por nenhuma agência sanitária, esse tipo de receita caseira nem higieniza a sua mão.

Vacina israelense e cubana

Essa notícia falsa tem, claro, uma origem política. Setores mais à esquerda e mais à direita da sociedade compartilharam notícias de que tanto Israel quanto Cuba, dois países com medicina bastante avançada e fortes programas de pesquisa na área de saúde conseguiram desenvolver uma vacina para o coronavírus. Isso seria praticamente impossível. Segundo especialistas, uma vacina para a Covid-19 somente estaria disponível em um ano e meio, no cenário mais positivo de todos. Até lá, parece difícil que a humanidade consiga alcançar uma imunização artificial para a doença.

Holanda não fez quarentena

O Deputado Federal Osmar Terra, que também é Ex-Ministro da Cidadania, publicou em seu Twitter que a Holanda já achatou a curva e conseguiu imunizar a sua população “sem fechar uma loja ou fazer quarentena”. A informação é completamente inverídica. Desde o dia 16 de março o país estabeleceu uma quarentena que fechou a maior parte dos comércios e equipamentos públicos não essenciais. A Holanda também não permitiu eventos com concentração maior do que 30 pessoas há tempos. Além disso, a curva não está achatando. No última dia 31, a Holanda teve o maior número de confirmação de casos até então graças ao vírus.

Cloroquina é cura

Tanto Donald Trump quanto Jair Bolsonaro tem apontado a hidroxicloroquina como um caminho viável para o tratamento de coronavírus. A partir daí, milhares de pessoas tem apontado que o remédio se trata de uma cura. Não existem estudos científicos suficientes que possam comprovar que a substância tem efeitos realmente positivos contra a Covid-19, e os principais disponibilizados até então, tiveram suas metodologias completamente questionadas. Um estudo da Universidade de Zheijang apontou que o medicamento não teve nenhuma eficácia contra o coronavírus. A hidroxicloroquina é utilizada no tratamento de lúpus, artrite e malária. Após o espalhamento dessa notícia falsa, o estoque do remédio foi esgotado nas farmácias brasileiras e pessoas que estão com essas doenças ficaram sem o tratamento.

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Gargarejo milagroso

Não existe nenhuma evidência de que gargarejar água morna, sal e vinagre possa curar o coronavírus. Segundo o boato base para essa receita, o vírus fica na garganta por 4 dias antes de chegar aos pulmões. Não há nenhuma evidência científica para essa afirmação.

Fontes oficiais

Se você não quiser cair em informações falsas sobre o coronavírus – que você certamente irá receber – fique atento a sites confiáveis. Antes de compartilhar qualquer informação sobre o coronavírus, confira se ela é verdade. Além do Hypeness, fontes como o Ministério da Saúde e grandes jornais são importantes para informações confiáveis. Agências de checagem como a Boatos.orgAos Fatos e a Agência Lupa para verificar se as notícias que você está recebendo não são infundadas.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness.

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