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Coronavírus: supremacistas brancos aproveitam pandemia para ataques no Zoom

por: Vitor Paiva

Se o isolamento e a quarentena são capazes de amenizar os efeitos da pandemia sobre a sociedade, outras doenças, muito mais antigas, parecem tragicamente não se abalarem mesmo em momento tão difícil quanto o atual: o preconceito e o ódio – mais especificamente, o antissemitismo. O aplicativo Zoom, que da noite pro dia por conta da quarentena tornou-se um dos mais populares apps para videoconferências, tem sido cenário virtual de cenas de verdadeiro horror – os chamados “zoombombing”, ataques preconceituosos e até nazistas contra reuniões da comunidade judaica pelo aplicativo.

Suásticas subitamente foram vistas em aulas de cultura judaica, armas e genitálias foram expostas em reuniões de famílias, e gritos de ódio e ameaças de morte surgiram até mesmo em velórios virtuais realizados através do app. Em parte, pasmem, essas invasões não precisaram de trabalhos árduos de hackers para acontecerem: boa parte se deu pois os links das videoconferências estavam públicos – sem necessidade de senhas ou maiores controles. Outros, porém, aconteceram por falhas de segurança do Zoom – e diversos autores dos ataques já foram identificados como supremacistas brancos ou neonazistas notórios.

Eric Yuan, CEO do Zoom

É por isso que o app começou a oferecer senhas e salas de espera para as videoconferências, e anunciou que não oferecerá novidades enquanto todas as brechas de segurança não estiverem comprovadamente resolvidas. Esse não é o primeiro problema apresentado pelo app desde que a quarentena começou: denúncias apontaram que o Zoom estava vazando e-mails dos usuários, instalando apps sem autorização e anunciando que as videoconferências eram encriptadas quando em verdade não eram. Mais assombroso, porém, é a confirmação de a ignorância do ódio e do horror não encontram limites nem mesmo em um momento trágico como o atual.

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© fotos: Getty Images


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.


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