Criatividade

Gana: além da dança o país africano mantém viva a cultura de estilizar caixões

Redação Hypeness - 16/04/2020

O novo meme que está circulando internacionalmente tem um formato bem “videocassetadas”: são vídeos curtos que mostram cenas de acidentes graves, como um esquiador prestes a se esborrachar, um skatista que leva um tombo ou um homem que despenca de uma barra de ginástica que se quebra.

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Mas, antes que a parte mais grave apareça, a edição corta para imagens de cerimônias fúnebres protagonizadas por “dancing pallbearers” (carregadores de caixão dançarinos), com uma música eletrônica ao fundo. O costume é tradicional de Gana, onde os dancing pallbearers são contratados para levar os caixões durante o funeral enquanto performam danças tradicionais do país.

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Cada apresentação dos dançarinos tem custo variável, em geral em razão da vestimenta. Se for traje escocês, sai por 800 cedi (R$ 715), valor que sobe para 900 cedi (R$ 805) em caso de uniforme de marinheiro e até 1.200 cedi (R$ 1.070) para uma vestimenta toda branca.

No vídeo pelo qual o costume ficou conhecido, o caixão carregado ainda pode ser considerado “básico” em comparação aos que são feitos no país, cujo ritual de estilizar a “cama eterna” das pessoas também se mantém. São caixões em formato de carros de corrida, aviões e até de animais. Os peixes são a maior pedida.

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Em tempos de pandemia de coronavírus e, caindo nas mãos dos brasileiros, o “meme do caixão” ganhou algumas variações. Em Poços de Caldas (MG), a imagem dos quatro carregadores do vídeo viral ilustra um outdoor incentivando as pessoas a respeitarem a quarentena durante a pandemia. “Fique em casa ou dance com a gente”, sugere.

No domingo (12), o presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, postou em suas redes sociais uma montagem, em que substitui o rosto de um dos dançarinos pelo do presidente Jair Bolsonaro.

As imagens usadas nos vídeos são de 2017, extraídas de uma reportagem da rede britânica BBC, mas só agora viralizaram. Como frequentemente ocorre neste universo, é difícil encontrar uma explicação clara para isso.

Segundo o site especializado “Know Your Meme”, a primeira montagem foi postada na rede Tik Tok por uma pessoa usando um pseudônimo em 26 de fevereiro. Esta publicação teve 4,5 milhões de visualizações em um mês. Depois disso, seguiu-se uma avalanche de vídeos semelhantes.

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Tanto na reportagem da BBC como na da Associated Press aparece um dos precursores desse ritual: Benjamin Aidoo, um ganense que entrou para a profissão em 2007 e introduziu uma espécie de versão 2.0 dos pallbearers. Antes, eles só carregavam o caixão nos ombros, como se faz em muitos países ocidentais. A nova versão consiste não só em transportar o ataúde, mas também em acompanhá-lo com músicas mais alegres e de enfeitar os profissionais funerários com uma indumentária mais vistosa do que o habitual.

Embora Aidoo reivindique para si algumas das novidades nesse ofício, é complicado estabelecer desde quando o serviço é oferecido. Uma reportagem de 1997 do jornal norte-americano The Washington Post já falava em “carregadores que cambaleavam debaixo de um ataúde feito sob medida” e que “sustentavam o caixão para alívio do mar de enfermos que se amontoam atrás deles”. Entretanto, o fato é que aquele texto não menciona que a música ou a dança estivessem presentes no enterro descrito.

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Fotos: The Guardian


Redação Hypeness
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