Debate

Itália: brasileira defende isolamento social para evitar mortes: ‘É um leito a mais no hospital’

por: Yuri Ferreira

A epidemia de coronavírus começou em Wuhan, na China, mas logo ganhou um novo foco: a Itália. O país mediterrâneo se tornou o epicentro da crise e a região da Lombardia, mais rica do país, foi a mais afetada pela  Covid-19. Os dados italianos já somam mais de 139 mil casos e 17 mil mortos. A demora para a efetivação de uma quarentena geral aumentou o espalhamento do vírus. Tamires Martins, que trabalha no Consulado Brasileiro na Itália, relatou como está a vida na Itália e recomendou o isolamento social no nosso país.

Em entrevista ao G1 Santos, a brasileira afirmou que hoje no país já há um consenso sobre a efetividade do isolamento social, defendido pela grande maioria dos infectologistas do mundo e pela OMS. “Agora há uma coesão entre os governos e todos remam na mesma direção. No início, quando o prefeito de Milão foi contra o isolamento, ele não achou que o vírus se disseminaria tão fácil, tanto que ele se arrependeu e pediu desculpas publicamente. Agora, todos temos certeza que o isolamento é o melhor caminho”, afirmou.

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Segundo o Datafolha, 28% dos brasileiros não estão fazendo o isolamento de maneira adequada. Enquanto a maioria dos governadores estaduais ordenaram o fechamento de serviços não essenciais e boa parte das empresas mantém um sistema de home office durante a quarentena, ruídos dentro do Governo Federal ainda confundem a população e a chance de o vírus tomar proporções enormes em algumas regiões do país ainda é grande.

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“Estamos todos no mesmo barco, diante de um problema que pode atingir qualquer um, então temos que agir juntos. É irracional querer voltar para realidade hoje porque essa realidade não existe mais. Ou fazemos tudo juntos para isso passar mais rápido ou cada um age por si e vai durar mais tempo”, afirmou Tamires.

Tamires vive na Lombardia

Segundo o biólogo Átila Iamarino, em um realidade de mitigação – em que nenhum tipo de isolamento social é feito – até agosto, mais de um milhão de pessoas poderiam morrer no Brasil. Entretanto, graças aos esforços de isolamento feitos por Estados como o Rio de Janeiro e São Paulo, em que há mais infectados, estamos observando uma desaceleração no crescimento dos casos de coronavírus.

O infectologista David Uip, coordenador do Comitê para Contenção do Coronavírus do Estado de São Paulo, foi contaminado pela Covid-19. Após ser curado, o médico reforçou a importância do isolamento social como a principal maneira de combater a doença e fortalecer o sistema de saúde contra a epidemia.

“É o testemunho de quem já esteve com a doença, não é brincadeira. Então, por favor, aqueles que estão subestimando, achando que não é nada ou que é pouco, eu desejo ardentemente que não adoeçam. É um sofrimento muito grande”, afirmou.

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Fotos: Arquivo Pessoal/Tamires Martins/Reprodução


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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