Ciência

Jovem de 20 anos que ficou na UTI por coronavírus alerta: ‘Eu ia morrer’

por: Yuri Ferreira

No dia 16 de março de 2020, o coronavírus ainda não era uma grande preocupação para muitos países. No Brasil, eram apenas 234 casos confirmados e nenhuma morte. Nações ao redor do mundo começavam a tomar medidas mais drásticas e o Estado de São Paulo sequer havia ordenado o fechamento do comércio. E Guto Franco, de 20 anos, estudante de Rádio, TV e Internet na Faculdade Cásper Líbero começou a sentir os sintomas da doença. O morador de São Caetano do Sul teve febre alta e calafrios, deu entrada no hospital São Luiz e foi isolado. Fez o teste para covid-19 e aguardou o resultado em casa.

– ‘Para o mundo que a gente vivia não vamos poder voltar’, diz Atila Iamarino sobre vida pós-coronavírus

Guto postou foto internado pelo coronavírus e recebeu muito carinho de amigos e familiares; jovem foi para na UTI pela doença. Com apenas 20 anos e fora do grupo de risco, seu caso reforça importância do isolamento

Ele acreditava que não era coronavírus. Utilizou remédios como dipirona, indicados pela médica para reduzir os sintomas, mas as dores não passavam. Após começar a sentir um incômodo forte nas costas, na região do pulmão, ligou para a médica. Ela pediu para que fosse ao hospital para dar entrada na UTI.

“Ela falou que, se eu estivesse em casa e tivesse alguma complicação pulmonar, eu ia morrer. Estando no hospital, ela teria chance de me salvar”, contou Guto à revista Esquina em uma coluna no Huffington Post Brasil.

O caso de Guto reforça a importância do chamado achatamento da curva: com a redução de casos, a capacidade do sistema público de saúde fazer o tratamento dos casos para que todos tenham acesso à UTI e respiradores quando necessário.

– Empresário internado com coronavírus faz apelo: ‘Não voltem a trabalhar. Ela é silenciosa’

Hoje, há uma reconhecida subnotificação de casos no país. Segundo o Ministério da Saúde, no momento da publicação dessa reportagem, são 2.2700 casos e 1.270 mortes. Entretanto, o Brasil é o país com a menor capacidade de testagem

Como é difícil compreender a situação real da epidemia no país, recomenda-se que o isolamento social continue sendo o mote para a população. O infectologista e coordenador do Centro de Contenção do Coronavírus do Estado de São Paulo, David Uip, foi infectado pela doença e reafirmou em entrevista coletiva que o isolamento social é a única arma que temos para combater a covid-19.

– Coronavírus: mostre a fala de David Uip emocionado por cura para quem ainda quer romper quarentena

“Só entende de fato a seriedade da doença quando se entra em contato com ela. Confesso que no início eu não acreditei, pensei que não era possível. As pessoas acham que é brincadeira, pensam que é só ‘uma gripezinha’. Não é. É um momento horrível para o mundo, interfere na vida de muitas pessoas. A gente acha que não vai acontecer com a gente, mas acontece, e é uma situação muito complicada. Acho que muita coisa vai ser diferente depois disso”, refletiu Guto.

Publicidade

Fotos: Reprodução/HuffPost/Arquivo Pessoal Destaques: Reprodução/Instagram


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.


X
Próxima notícia Hypeness:
Única mulher no anúncio da CoronaVac lembra que mulheres são maioria nas pesquisas