Ciência

June Almeida, a cientista que descobriu o primeiro coronavírus após abandonar escola aos 16 anos

Vitor Paiva - 27/04/2020 | Atualizada em - 22/09/2020

Não é por capricho mero ou simples tecnicalidade que o sars-cov-2, vírus causador da covid-19, é chamado de “novo” coronavírus: pois se esse vírus em específico é de fato uma novidade, seu grupo é conhecido pelos cientistas desde os anos 60. Mais precisamente, sabemos dos coronavírus desde 1964, quando a cientista escocesa June Almeida identificou o tipo pela primeira vez, em seu laboratório no hospital londrino St. Thomas. Curiosamente, June abandonou a escola aos 16 anos, antes de completar sua formação.

A cientista escocesa June Almeida © Getty Images

Após abandonar os estudos formais, porém, ela conseguiu um emprego como técnica de laboratório em hispatologia (o estudo dos tecidos doentes do corpo, como os obtidos através de biópsias) na Royal Infirmary, em Glasgow. Em meados dos anos 1950, a virologista desenvolveu seu imenso talento com um microscópio, mudou-se para Londres para seguir carreira, e se casou com o artista venezuelano Enriques Almeida. O hospital St. Thomas, onde identificou o primeiro coronavírus, foi o mesmo que tratou recentemente o primeiro-ministro inglês Boris Johnson, contaminado pelo novo coronavírus.

Duas imagens do coronavírus registradas por June © Wikimedia Commons

Foi em colaboração com Dr. David Tyrrell, a partir de uma amostra conhecida como B814, da lavagem nasal de um aluno de um internato, que June percebeu a presença de um vírus similar ao influenza, mas que se comportava de forma diferente. A descoberta foi publicada no British Medical Journal em 1965, e a partir da imagem viral, similar a uma coroa, que se batizou o novo vírus. Almedia conquistaria seu doutorado, e abandonaria a carreira momentaneamente para se tornar professora de Yoga. No final dos anos 1980, porém, ela retornou à virologia para combater o HIV, ajudando a registrar diversas imagens importantes do vírus.

© Wikimedia Commons

June Almeida faleceu em 2007, aos 77 anos, e o pioneirismo e a importância de seu trabalho ficam cada vez mais claro, especialmente diante da necessidade urgente de sabermos mais sobre o vírus que está atualmente espalhado pelo mundo em pandemia.

© Getty Images

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, Vitor Paiva é doutor em Literatura, Cultura e Contemporaneidade pela PUC-Rio. Autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores, publica artigos, ensaios e reportagens.

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