Entrevista Hypeness

Larissa Januário: batemos um papo sobre quarentena, delivery e receitas práticas

por: Gabriela Rassy

O período de quarentena tem sido diferente para cada pessoa. Enquanto uns precisar continuar saindo de casa para trabalhar, outros encontram saídas para não parar seus projetos, ainda que dentro de casa. É o caso de Larissa Januário, chef de cozinha que escreve ou jornalista que cozinha – como ela mesma define -, a mente e as mão por trás do Sem Medida viu no delivery uma forma de manter seu negócio ativo e equipe remunerada. Num ritmo bastante intenso, ela não tem praticamente tempo ocioso. “Não sei lidar com ficar muito tempo à toa. Acho que dá uma ansiedade. Aliás, estou sentindo falta de descansar”, diz.

Ela toca, junto com seu companheiro, o chef Gustavo Rigueiral, o projeto do Jantar Secreto, que acontece há 5 anos. Como o nome já diz, o lugar é secreto, o menu e os convidados. Em março foi a primeira vez que ele deu lugar ao confinamento e daí, às entregas. “Aprendemos a dirigir com o carro andando”, conta Larissa.

O casal está trabalhando sem equipe para sobreviver, manter o negócio rodando, os fornecedores e os colaboradores recebendo.

“Nossa equipe está em casa e a gente continua trabalhando para remunerá-los. Estamos indo agora para o sexto prato. Nossa base de clientes é muito legal e continuam apoiando a gente”.

Nessa pegada de trabalho em dois para atender muita gente, pegam também os sabores e as vontades. Enquanto do meu lado estou doida de vontade das comidas afetivas, Larissa está com vontade de comer comida de qualquer pessoa, menos a dela. “Além de tudo gente está cozinhando a trabalho. O dia que a gente tem a possibilidade de comer uma coisa que não seja nossa, a gente fica super feliz”.

(Quase) ao vivo

De jornalista para jornalista, a proposta de entrevista era ousada: pedi que ela me acompanhasse enquanto eu seguia seus passos numa receita dos cortes ao prato. O único pedido era que o prato não levasse carne, já que não como as vermelhas nem frango há pouco mais de 10 anos. Larissa mesma é fã dos pratos vegetarianos.

“Eu adoro comer sem carne. O problema hoje na nossa alimentação é essa coisa de achar que tem que ser em torno da carne. Tem tantas outras fontes de proteína que é uma questão da gente ampliar repertório. Gosto de desse desafio de pensar em outras fontes para alimentar. E eu gosto de comida. Acho que toda comida é gostosa, desde que a gente saiba preparar, desenvolver o sabor, e isso qualquer pessoa pode aprender”.

Ela, que passou de jornalista de gastronomia para chef de cozinha e hoje segue em trânsito pelas duas áreas, acredita que todo mundo pode cozinhar. Isso não quer dizer que todo mundo vai ser chef, mas ela acredita que todo mundo deveria aprender a cozinhar.

Foto: @lflorenzano_foto

“Acho que um aspecto ‘positivo’ dessa quarentena é que as pessoas estão sendo obrigadas a voltar e olhar para as cozinhas das suas casas de uma forma mais frequente. Tenho amigos que não cozinham nada e estão numa sofrência absurda. Não têm repertório de receitas, não tem a prática, não tem o hábito. E de certa forma a cozinha gera ansiedade. Você está com fome, você tem um investimento de tempo, de expectativa, de dinheiro pelos ingredientes. Se der ruim, é muito ruim. Você faz um bolo e fica uma droga. Complexo. Suja tudo e ainda não tem o prêmio? Eu entendo que é um desafio, mas eu acho que é essencial”, incentiva.

Nisso de todo mundo ir para a cozinha, o acesso ao perfil do Sem Medida, junto com a busca por receitas, cresceu muito. Em breve Larissa deve fazer uma série de processos de conservação do alimento – já quero!

Shakshuka, o prato do dia

A sugestão foi então esse, que é um prato clássico dos cafés da manhã do Oriente Médio, mas que também passeia por outras culturas dentro e fora do continente. “Dos prato sem carne, o meu favorito é a Shakshuka. É um prato israelense, mas comido em todo o continente e além, por que o conceito é de ovos cozidos dentro de um molho de tomate temperado”, explica Larissa.

Os italianos chamam de Ovos no Purgatório, os mexicanos de huevos rancheiros e a mãe de Larissa, uma goiana de mão cheia, chamava de moquequinha de ovo. Um prato unânime, muito rápido e fácil de fazer.

A chef explica que no mundo todo ele é um prato de café da manhã. “A gente aqui quem tem essa coisa do café da manhã ter sabores mais suaves, mas no mundo todo é a refeição mais importante, por que é a comida que vai te ajudar a encarar o dia, então acabam sendo pratos mais substanciosos”.

Receita Para duas pessoas:

4 ovos
1 cebola média picada em cubinhos
1 pimentão pequeno picado igual a cebola – tirar todas as sementes e partes brancas de dentro (amarelo mais suave, vermelho mais adocicado e verde mais forte)
1 lata de tomate pelado
1 dente grande de alho
Páprica
Sementes de coentro
Cominho
Canela em pau
Azeite
Pimenta

Pique os vegetais do mesmo tamanho, não precisa ser muito pequeno. Coloque no pilão as especiarias, menos a canela (eu não tinha e piquei na faca). Comece com as especiarias do pilão na panela. Quando o arma ficar mais intenso, pode colocar o azeite – uma boa talagada -, a cebola e uma pitada de sal. Depois que murchar, coloque o alho para dar um sustinho. Depois de 1 minuto, incluir o pimentão e refogar. Mais uns minutinhos para cozinhas e pode incluir o tomate pelado e a canela em pó. Coloque água na lata de tomate pelado para não desperdiçar nadinha (essa é para deixar nossas mães orgulhosas). Ajuste o sal e deixe reduzir um pouco. Quando o molho já estiver bem cozido, prove, ajuste os temperos e se prepare para incluir os ovos. Quebre cada ovo separadamente – nunca abrir direto na panela! -, colocar um bem separado do outro, temperar com sal e pimenta e tampar. Quem gosta de gema mole, deve tirar em 5 min. Decorar com folhas de coentro e servir imediatamente com pão ou com cuscuz marroquino. Combina também com coalhada seca ou com queijo de cabra.

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Gabriela Rassy
Jornalista enraizada na cultura, caçadora de arte e badalação nas capitais ensolaradas desse Brasil, entusiasta da cena musical noturna e fervida por natureza.

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