Arte

Méret Oppenheim: mais uma mulher que, assim como Dalí, deveria ter sido um ícone do surrealismo

por: Redação Hypeness

Méret Oppenheim foi uma pioneira do surrealismo, mas seu nome acabou esquecido pela história. Assim como o de outras artistas que fizeram parte deste movimento, como Maruja Mallo, o sucesso de Méret foi ofuscado por seus pares masculinos, como Salvador Dalí e Magritte.

Nascida em Berlim em 1913, a artista precisou se mudar ainda criança ao lado da mãe e dos irmãos para viver nas montanhas da Suíça quando eclodiu a Primeira Guerra Mundial. A residência da família era frequentada por todo tipo de intelectuais, o que permitiu que Méret tivesse contato com as artes desde muito pequena. Sua tia, Ruth Wenger, chegou a se casar com o escritor Herman Hesse.

– Maruja Mallo: uma das maiores pintoras surrealistas da história esquecida por ser mulher

Méret Oppenheim

Méret Oppenheim fotografada por May Ray

Aos 18 anos, Méret tinha convicção de que queria se tornar artista e foi estudar em Paris. Uma vez lá, passou a frequentar a Académie de la Grande Chaumière, onde Picasso, Delacroix, Manet e Cézanne costumavam pintar. Rapidamente, se tornou a única mulher em um grupo dominado por homens.

Ainda muito jovem, ela começou a frequentar reuniões surrealistas com André Breton, Marcel Duchamp, Francis Picabia e Max Ernst. Méret inspirava e era inspirada por seus companheiros.

Pintura em que uma menina conversa com uma mulher mágica com rabo de lagarto no meio de um bosque

Forest Woman, Méret Oppenheim (1939)

Nesse contexto, surge sua principal obra: “Object“, também conhecida como “Le Déjeuner en fourrure“. Tratava-se de uma xícara, um pires e uma colher de chá cobertos com pele de animal.

Após ser exibida em Paris e Londres, a obra fez parte de uma mostra dedicada à “Arte fantástica, dada e surrealismo”, no Museu of Modern Art (MoMA), em Nova York, em 1936. Na ocasião, o diretor do museu decidiu comprar o trabalho de Méret, que se tornou o primeiro item surrealista da coleção do MoMA, onde permanece até hoje.

Xícara, pires e colher de chá cobertos por pele animal

Object, Méret Oppenheim (1936)

O sucesso da obra foi exponencial e surpreendeu até mesmo à artista, que caiu em uma profunda crise existencial. Uma depressão a levou de volta à Suíça, onde nunca deixou de experimentar novas técnicas.

De suas mãos, surgiram uma série de outros objetos impensados, como óculos com apenas uma lente ou um anel cuja joia central é feita de açúcar; mas ela nunca se limitou a um formato. Méret também se provou uma ótima pintora, criou esculturas, móveis, vestuário e realizou até mesmo uma famosa performance, conhecida como Spring Banquet (1959), em que três casais eram convidados a um banquete no corpo de uma mulher nua.

Veja mais trabalhos de Méret Oppenheim

Anel cuja joia foi substituída por um torrão de açúcar

Anel de Açúcar

Óculos para apenas um olho

Óculo

Quadro surrealista de Méret

Das Leiden der Genoveva (1938)

Quadro surrealista de Méret em tons pasteis

Grandes nuvens sobre os continentes (1964)

Figura com a parte inferior do corpo humana, o tronco substituído por uma explosão brilhante e múltiplos cubos sobre a cabeça ao lado de um túmulo

Sol, Lua, Estrelas (1942)

Quadro surrealista de Méret

No Jardim de Um Polvo (1971)

Obra surrealista de Méret

Parapapillonneries (1975-1976)

Dois sapatos colados pelas pontas

O casal (1956)

Várias pessoas se reúnem em torno de uma mesa onde a comida é servida ao lado e sobre o corpo de uma mulher

Spring Banquet (Banquete de Primavera)

Quadro abstrato pintado por de Méret nas cores azul e vermelho

Cabeça Vermelha, Corpo Azul (1936)

Dois sapatos de salto amarrados servidos sobre uma bandeja

Minha Enfermeira

Mesa com pés de ave

Mesa com Pés de Ave (1939)

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Créditos sob as imagens


Redação Hypeness
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