Ciência

OMS previu coronavírus há dois anos e mesmo assim não foi ouvida

por: Yuri Ferreira

A pandemia de coronavírus tomou muita gente de surpresa. Cenas que não se viam há mais de cem anos – desde a epidemia de Gripe Espanhola – passaram a fazer parte de uma realidade global. A covid-19 transformou a nossa realidade completamente e um clima de medo tomou todos os países do mundo. Até o dia 23 de abril foram 188 mil vítimas do novo coronavírus e o número de casos só aumenta ao redor do mundo.

Mas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já previa a possibilidade de um epidemia como a do coronavírus desde 2018. Em uma série de diretrizes para a comunidade internacional em referência ao combate à doenças de alto contágio, a OMS disse que deveria haver alta prioridade nos estudos e na preparação para possíveis eclosões de ebola, zika virus, febre de Lassa, febre de Rift Valley, febre hemorrágica da Crimeia-Congo, a SARS, MERS e a misteriosa ‘Doença X’.

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No comando da OMS desde 2017, Tedros Adhanom tem sido um dos principais nomes na mídia durante a pandemia de coronavírus. Em 2018, já havia previsto epidemia da dimensão da Covid-19

“A história nos diz que é provável que o próximo problema será algo nunca antes visto. Parece estranho adicionar um X à questão, mas a intenção é ter certeza de que nós nos preparemos e tenhamos flexibilidade de vacinas e diagnóstico. Queremos plataformas de ação rápida que funcionem para diversos tipos de doenças, sistemas que nos permitam contra-atacar da maneira mais rápida possível”, afirmava a diretriz da OMS publicada em 2018.

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A ‘Doença X’ era uma doença originada de um animal silvestre, com alta capacidade de espalhamento e baixa taxa de mortalidade, que rapidamente contaminaria o mundo todo. Os especialistas em epidemiologia apontam que de fato se trata da covid-19. A recomendação era para que a comunidade científica estudasse vacinas e testes mais abrangentes, com eficiência para vários tipos de vírus.

“A doença X era um conceito que representava algo inesperado e desconhecido. Agora que vimos como os casos de covid-19 têm aumentado constantemente e depois de identificá-la e pesquisá-la para ver do que se tratava, acho que é a doença X”, afirmou à BBC a epidemiologista Josie Golding da fundação Wellcome Trust, do Reino Unido.

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Trump foi um dos líderes que minimizou a pandemia

A realidade, como se sabe, é que líderes mundiais deram de ombros para os alertas da Organização Mundial da Saúde. Nos Estados Unidos, Donald Trump insistiu em minimizar os efeitos da pandemia que infectou perto de 1 milhão de norte-americanos e tirou a vida de quase 50 mil pessoas até o momento. No Brasil, Jair Bolsonaro classificou a covid-19 como uma ‘gripezinha’ e até hoje se mostra contrário ao isolamento social. O país enfrenta o colapso do sistema de saúde, a falta de testes e ao menos 3 mil óbitos.

Por falar em quarentrena, além do Brasil, há países da Europa e o próprio Estados Unidos de olho em uma saída gradual do lockdown. Na Alemanha, o governo propôs uma reabertura de atividades comerciais. A Nova Zelândia, um dos países que começou o isolamento mais cedo, já está voltando à normalidade, com um controle bastante eficaz do vírus. No Brasil, apesar do crescimento exponencial do vírus – com o número de casos dobrando a cada 5 dias, algumas lideranças políticas já desejam reabrir totalmente o comércio.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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