Entrevista Hypeness

Pedro Pacífico, do ‘Bookster’, fala sobre como venceu o coronavírus e indica livros para quarentena

por: Rafael Oliver

Há alguns meses o Hypeness conversou com Pedro Pacífico, administrador do ‘Bookster’, famoso perfil do Instagram que reúne dicas de livros. Formado em direito, Pedro é “um advogado tentando incentivar a leitura”, como ele mesmo se define em sua conta, que já passou de 300 publicações e acumula 157 mil seguidores. Na ocasião da entrevista, quando ainda nem se falava do coronavírus, o influenciador indicou títulos para manter a saúde mental, em uma matéria ainda bastante útil para essa época de confinamento.

Porém, por obra do destino, meses mais tarde Pedro faria parte de uma história com enredo nunca antes visto nas centenas de livros que já recomendou. Participou do famoso casamento na Bahia que registrou os primeiros casos de coronavírus no Brasil. Dias depois, testou positivo para a doença. Era um dos primeiros brasileiros infectados. Foi então que comunicou o ocorrido em seu Instagram e passou a registrar, diariamente, sua rotina diante da situação em que se encontrava: trancado em seu quarto.

Hoje, já curado após uma rígida quarentena, Pedro volta a falar com o Hypeness, dessa vez  para contar como foi sua experiência durante o tempo em que ficou infectado, mas também para recomendar mais alguns livros especialmente para o período da pandemia.

Hypeness: Qual foi sua reação ao descobrir o vírus? 

Pedro Pacífico: Fui um dos primeiros brasileiros a receber o diagnóstico. Fui num casamento, na Bahia, e depois de dois dias a gente recebeu a informação de que um convidado foi diagnosticado com coronavírus. Fui fazer o teste e, depois de 24 horas, saiu o resultado positivo. Confesso para vocês que quando saiu fiquei bem tranquilo. Eu já achava que estava infectado por conta dos sintomas: febre fraca, dor de garganta e dor nas pernas. Assim que saiu o resultado, pensei: preciso cumprir essa quarentena e esse isolamento com muita seriedade para evitar que eu dissemine e contamine outras pessoas, que podem estar no grupo de risco. A gente sabe que, em nós, jovens, têm uma taxa de mortalidade muito baixa, pode ser cuidado. Então adotei isolamento intenso. Lá nos meus stories eu mostrei como tudo funcionou na minha casa para esse isolamento. 

H: Qual o momento mais difícil da quarentena? 

PP: O que mais me incomodou foi a dor de cabeça. Eu adoro ler… Além de ter o Bookster, também sou advogado, então todo dia leio um pouquinho…. Achei que na quarentena iria ler bastante, mas por conta da dor de cabeça, enquanto eu estava com os sintomas do coronavírus, eu não consegui ler muito bem. 

H: Além de não conseguir ler por conta da dor de cabeça, também vi em seus stories que sua concentração ficou comprometida. Afinal, o que você mais fez na sua quarentena? 

PP: Tive que criar uma rotina…  É meio chato ficar no seu quarto, sozinho por tanto tempo… Ainda que eu lesse umas dez páginas (de livros), trabalhava home office, tentava assistir uma série, falar com alguém, dormir, arrumar o quarto, limpar tudo com álcool para tirar o vírus. Isso acabou me ajudando bastante na questão psicológica, para passar o tempo da maneira mais rápida. Mas realmente, não consegui ler tanto quanto esperava.

H: Na sua opinião, qual melhor solução para conter o vírus? 

PP: É questão de pensar no outro. Evitar disseminação, evitar colocar outras pessoas em risco. A quarentena é a melhor forma de evitar uma propagação muito grande, evitar que o sistema de saúde fique lotado. Já estamos cansados de ouvir na TV, jornal, mas é o que temos que fazer agora, colocar isso na nossa cabeça. 

H: Você esteve presente em um evento que terminou com vários contaminados. Acha que a velocidade e o poder do contágio são maiores do que as pessoas imaginam? 

PP: Isso só evidencia como é fácil a contaminação desse vírus. Os médicos dizem que não é tão contagioso, como sarampo, por exemplo, mas é mais contagioso que a gripe comum, então temos que tomar todos os cuidados. Até onde sei, de todas as pessoas com quem eu tive contato, ninguém foi contaminado. Isso mostra que a gente consegue evitar contaminação. Principalmente entre pessoas de uma mesma casa. O importante é seguir todas as normas de isolamento que a gente encontra na internet. 

H: Quais foram as diferenças de sintomas entre Covid-19 e gripe comum, no seu caso?

PP: Foi a gripe mais forte que eu já tive. Não só pela intensidade dos sintomas, mas pelo tempo. Você fica sete dias bem para baixo. Dava uma falta de ar ao fazer esforço físico… Não é uma gripe boba. Nunca tive uma gripe assim. Não tem remédio testado ainda, então só tomava remédios para aliviar os sintomas, não para matar o vírus. 

H: Como foi o final do seu isolamento? Qual foi a primeira coisa que fez quando ficou “livre”(após ir ao médico, como também acompanhei nos seus stories)?

PP: Fui ao médico, mas não fiz exame para confirmar (a cura da doença). Só estão fazendo testes para casos mais delicados. Então o teste é feito com base na ausência de sintomas. Mas quando eu finalmente tive alta, São Paulo já estava na quarentena. Então, a primeira coisa que fiz, que poderia ser feito, foi ir na farmácia (risos). Foi muito libertador, poder sair do quarto. Mas logo voltei para meu quarto. E sigo aqui, de quarentena, mantendo minha “rotininha”.

H: Se sua experiência com o coronavírus fosse um livro, qual seria o título? 

PP: O título seria ‘Paciência’… Porque é essa coisa do isolamento que estamos vivendo. É paciência,  tem que ficar em casa, entender que é pelo bem de todos os que estão à nossa volta, não só para nosso bem. E esperar, afinal estão todos na mesma situação. Então esse seria o título do livro. 

H: Quais livros você recomendaria especificamente para as pessoas que estão na quarentena? 

PP: São livros bons para ler na quarentena pois estamos em uma fase de ansiedade maior. Nossa concentração fica reduzida. Por isso, não recomendo livros muito densos nessa situação. E nem livros que deixem a gente para baixo. Já estamos sentindo uma energia mais intensa, negativa… O melhor a fazer é ler livros que coloquem a gente mais para cima. Então vamos lá: 

Nu, de botas – Antonio Prata

Ciranda de Pedra – Lygia Fagundes Telles

O Rei de Havana – Pedro Juan Gutiérrez

Do amor e outros demônios – Gabriel Garcia Marquez

A menina da montanha – Tara Westover

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Rafael Oliver
Publicitário de formação, com passagens por grandes agências, também atua por vocação na área da comédia. É redator, roteirista e humorista . Encontrou em San Diego, na Califórnia, seu segundo lar. Está sempre por lá. Vive uma busca incessante por novas experiências. E está longe de parar.

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