Ciência

Quarentena provocada pelo coronavírus mudou movimento da Terra

por: Karol Gomes

Enquanto a pandemia do coronavírus trouxe caos para economias ao redor do mundo, os esforços para fazer com que a Covid-19 deixe de se espalhar podem significar que o planeta está diminuindo o ritmo.

Pesquisadores que estudam o movimento da Terra estão reportando uma queda no ruído sísmico – captado pelo solo do planeta. O fenômeno pode ser resultado da diminuição da circulação de transportes públicos e outras atividades humanas, todas ao mesmo tempo.

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De acordo com o sismologista Thomas Lecocq, da Royal Observatory of Belgium in Brussels, assim como eventos naturais, como terremotos, podem alterar a vibração da rotação do planeta, atividades humanas, como a movimentação de veículos ou o maquinário de alguma indústria, podem fazer o mesmo.

Apesar dos efeitos de fontes individuais podem fazer um impacto pequeno, juntos, todos os seres humanos provocam um barulho tão grande que reduz a capacidade de especialistas detectarem sinais de atividades naturais.

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Não é a toa que, segundo especialistas, este momento mais “quieto” na Terra pode até ajudar pequenos terremotos com mais precisão, assim como atividades vulcânicas e outros eventos sísmicos. Lecocq explica ainda que uma redução de barulho dessa magnitude só é esperada durante o Natal.

Contudo, nem toda central de monitoramento sísmico perceberá tantas diferenças, segundo observou a geologista da Geological Survey de Albuquerque, no Novo México, nos Estados Unidos. Ela explicou que algumas estações de estudo já ficavam em lugares bastante remotos justamente para escapar do excesso de barulhos produzidos por seres humanos. 

“Os especialistas alocados nestes lugares específicos irão notar uma queda pequena nos barulhos, ou não irão notar diferença alguma”, explica a especialista, em entrevista para o site Nature

Para ela, o jeito é contar com os laboratórios de pesquisa mais próximos das grandes cidades e usar este momento de quarentena geral para produzir o máximo de estudos possíveis, dessa vez, com novas perspectivas. Perspectivas mais silenciosas, no caso. 

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Foto 1: Getty Images
Foto 2: Nature


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.

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