Diversidade

STF inicia julgamento virtual sobre proibição da ‘cura gay’

por: Kauê Vieira

A segunda turma do Supremo Tribunal Federal deu início ao julgamento para decidir sobre a proibição da ‘cura gay’. As informações são da coluna do jornalista Ancelmo Gois no jornal O Globo. 

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O julgamento acontece virtualmente por causa das medidas de isolamento social para impedir a disseminação do novo coronavírus e tem relatoria da ministra Cármen Lúcia, que suspendeu a decisão de um juiz do Distrito Federal dando poder aos psicólogos para realizar o que ficou conhecido como ‘terapia de reversão sexual’. O julgamento no STF atende pedido do Conselho Federal de Psicologia (CFP).  

‘Cura gay’ diz muito sobre a homofobia no Brasil

Cármen Lúcia destacou que apenas o STF pode decidir sobre a tão falada terapia. Ela ainda citou uma definição do CFP estabelecendo que “os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados”.

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A autorização de tratamentos que prometem a cura de uma orientação sexual que vai contra padrões heteronormativos foi defendida pelo juiz federal Waldemar Cláudio de Carvalho. Autor da medida suspensa por Cármen Lúcia, o magistrado pontuou que os tratamentos supostamente  seriam necessários para “investigação científica de transtornos comportamentais” de LGBTs. 

Homofobia 

O papo furado sobre cura gay dá ideia da profundidade da homofobia em um dos países mais inseguros do mundo para uma pessoa não heterosexual estar. Uma matéria publicada pelo jornal o Globo mostrou que a interferência exagerada de correntes religiosas e a desinformação são a tempestade perfeita para a disseminação de dor e sofrimento causados pelo preconceito. 

“A mulher do pastor me deu folhas em que estavam listadas coisas sobre o meu comportamento e os meus relacionamentos. Eu escrevia que estava me relacionando com uma mulher, dizia coisas íntimas e sexuais. Depois de preencher, eu lia em voz alta para renunciar a tudo, orava a Deus, pedindo para que tirasse aquilo de mim e repreendesse a ação do inimigo (demônios, segundo a crença da congregação)  na minha vida”, diz uma das pessoas que teve a identidade preservada pelo jornal. 

Cármen Lúcia suspendeu decisão que autorizava a ‘cura gay’

– 2 de fevereiro pelo olhar de fotógrafa com quase uma década de festas para Yemanjá

O movimento de criminalização da liberdade sexual ganha força entre setores conservadores e reacionários da política. A ascensão de figuras que defendem a ditadura e exaltam torturadores deu segurança para nomes como Marco Feliciano, pastor e deputado federal eleito por São Paulo, defendam a ‘cura gay’. 

Em 2015, o deputado reuniu textos de pessoas que, segundo ele, “deixaram a homossexualidade (sic)”. O pastor ressaltou que as mudanças teriam ocorrido por causa da influência religiosa. Ele, no entanto, não apresentou nenhuma prova consistente. 

Trocando em miúdos, a defesa de uma cura para algo que não é doença, evidencia a homofobia. Emmanuele A. Jannini, professor de Endocrinologia e Sexologia Médica na Universidade de Roma Tor Vergata, na Itália disse à BBC que “após discutir por séculos se a homossexualidade deve ser considerada uma doença, pela primeira vez demonstramos que a verdadeira doença a ser curada é a homofobia”.

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Fotos: EBC


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.


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