Ciência

Testes nucleares da Guerra Fria ajudam a identificar idade de tubarões

por: Vitor Paiva

Presente na vasta maioria dos seres vivos, é através de uma estrutura óssea chamada otólito que cientistas costumam avaliar a idade dos seres. Por isso a dificuldade para tal contagem no caso dos tubarões: no lugar do itólito, os tubarões possuem “camadas” ósseas, como anéis dos troncos da árvores, que impediam um cálculo mais preciso da idade dos animais. Um acontecimento diretamente do passado e em princípio nada relacionado com esses animais, no entanto, permitiu que um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual de Nova Jersey, nos EUA, calculassem pela primeira vez a idade de um tubarão-baleia (Rhincodon typus).

Mark Meekan, participante da pesquisa, mergulhando com um tubarão-baleia © Wayne Osborn

No auge da guerra fria, entre os anos 1950 e 1960, diversos testes com armas nucleares foram realizados por países como EUA, União Soviética, Grã-Bretanha, China, França e mais. O impacto de tais explosões foi tamanho no planeta que dobrou a quantidade do isótopo carbono-14 – elemento radioativo utilizado frequentemente por arqueólogos para contagem da idade de artefatos diversos.

A estrutura das baleias-tubarão © Wikimedia

O consumo do carbono-14 estabelece uma espécie de “marca” ou “assinatura” nos organismos – e assim tornou-se possível estabelecer com maior precisão a idade de animais como tubarão-baleia.

© Rob Harcourt

“Descobrimos que um anel de crescimento é definitivamente depositado todos os anos”, disse Mark Meekan, do Instituto Australiano de Ciência Marinha, que participou da pesquisa. Pelo cálculo do carbono-14 foi confirmado que um dos animais estudados tem 50 anos de idade. Como o tubarão-baleia é um animal ameaçado de extinção, trata-se de mais uma importante informação para o complexo quebra-cabeça da sobrevivência da natureza- e da preservação.

Teste nuclear no Atol de Bikini © Wikimedia Commons

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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