Ciência

USP cria ventilador pulmonar de baixo custo em tempo recorde

por: Gabriela Glette

A pandemia do coronavírus está mostrando ao Brasil, mais uma vez, a importância de se investir em ciência. Uma equipe de pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da USP desenvolveu o projeto de um ventilador pulmonar emergencial de baixo custo em tempo recorde. O protótipo foi criado com o objetivo de suprir a alta demanda do equipamento e a escassez de materiais em hospitais.

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O protótipo foi produzido com uma tecnologia 100% nacional e batizado com o nome de INSPIRE. Já que, com o mundo paralisado e as fronteiras fechadas, uma das maiores dificuldades do mercado brasileiro é justamente a importação de materiais, o equipamento é produzido com componentes disponíveis no Brasil, o que torna ainda mais inovador e acessível.

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“O motivo de se desenvolver este tipo de ventilador de pulmão emergencial parte de algumas premissas. Uma delas é que a cadeia de produção instalada deste tipo de equipamento talvez não consiga aumentar sua produção para a demanda da população brasileira nas próximas semanas. Seria necessário ter um equipamento que pudesse atender a população que ficaria desassistida neste caso”, explica o professor Raul González Lima, especialista em Engenharia Biomédica e um dos coordenadores do projeto.

Além disto, com o sistema de saúde operando no limite, possivelmente faltarão linhas de ar comprimido nos leitos de hospital, evidenciando a necessidade de se criar uma tecnologia brasileira para resolver a questão. Embora esteja sendo aprimorado, o desenvolvimento do protótipo já está concluído e o projeto passou para a fase de produção.

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Para o professor, o Brasil não somente deve investir mais em ciência, como ter sua própria linha industrial tecnológica: “Nós gostaríamos que a indústria nacional se desenvolvesse e exportasse as tecnologias que possuem para muitos países. Nosso objetivo é criar uma resposta rápida para uma crise provável”.

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De baixo custo, enquanto um respirador convencional no mercado tem um preço mínimo de cerca de R$ 15 mil, o projeto da Poli permitirá produzir o equipamento a um valor em torno de R$ 1 mil. Apesar da Poli ser a responsável pelo projeto, ele tem licença open source, ou seja, também está aberto para utilização.

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Fotos 1 e 2: divulgação

Fotos 3, 4 e 5: Unsplash


Gabriela Glette
Uma jornalista que ama poesia e mora na França, onde faz mestrado em comunicação. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias.

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