Ciência

Venda de primeiro produto à base de maconha é aprovada no Brasil

por: Yuri Ferreira

A Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou, em Diário Oficial, a autorização da produção do primeiro produto à base de maconha no Brasil. A fabricante Prati-Donaduzzi anunciou que irá começar a fabricação do filantrôpico com canabidiol (CDB) com fins terapêuticos para diversos quadros, mas não foi dito se terá direcionamento para alguma doença em específico.

A prsença de THC – substância reponsável pelo efeito da maconha, é de menos de 0,2%. Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, ele pode ser prescrito para doenças sem alternativa de tratamento. Em dezembro de 2019, a ANVISA regulamentou e permitiu o comércio de produtos à base de maconha no país, em uma decisão histórica e bastante controversa.

“As informações fornecidas devem contemplar: os riscos à saúde envolvidos; a condição regulatória do produto quanto à comprovação de segurança e eficácia, informando que o produto de Cannabis não é medicamento; os possíveis efeitos adversos, como sedação e comprometimento cognitivo e os cuidados na utilização”, disse a Anvisa.

Bastante conservadora com a questão da Cannabis, a ANVISA rejeitou em 2019 o plantio da maconha para fins medicinais no Brasil. Por isso, os insumos devem ser importados para serem manufaturados dentro do país. A agência ainda reiterou que o produto não é um medicamento.

O estigma 

A maconha é uma planta que possui várias propriedades terapêuticas que servem à milhares de pessoas com doenças como epilepsia, alzheimer, câncer, AIDS, entre muitas outras. No entanto, o estigma criado em cima da planta por seu uso recreativo e a guerra às drogas que coloca milhares de pessoas nas cadeias todos os anos, dificulta o acesso de doentes aos remédio que pode salvar vidas.

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O CDB tem diversos fins medicinais e a produção no Brasil pode reduzir bastante o custo da droga. A única alternativa que se tinha para consumo no país liberado pela ANVISA era o Mevatyl, um produto indicado para pacientes graves de esclerose múltipla e que custava cerca de 2 mil reais.

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“Como forma de valorizar e reconhecer todas as mães que lutam pelo direito de acesso ao tratamento de seus filhos, nosso objetivo é que o Canabidiol Prati-Donaduzzi esteja disponível nas melhores farmácias do Brasil até o Dia das Mães”, afirmou Eder Fernando Maffisoni, diretor presidente da empresa ao Jornal da Cidade de Toledo.

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Fotos: © Getty Images


Yuri Ferreira
Jornalista formado na Escola de Jornalismo da Énois. Já publicou em veículos como The Guardian, UOL, The Intercept, VICE, Carta e hoje escreve aqui no Hypeness. No twitter, @porfavorparem.

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