Inspiração

A importância da matemática falecida aos 97 anos que decifrou códigos nazistas

por: Vitor Paiva

A incrível, heróica e ao mesmo tempo terrível história do matemático inglês Alan Turing, um dos pais da computação moderna, felizmente vem sendo contada e celebrada pelo mundo. Além de ser considerado um dos inventores do computador, Turing ofereceu serviço fundamental para a derrota dos nazistas na segunda guerra mundial, decifrando códigos e mensagens secretas advindas do governo alemão. Mas ele não trabalhou sozinho: sua equipe era formada por grandes matemáticas, entre ela a britânica Ann Mitchell, que faleceu recentemente aos 97 anos, vítima da Covid-19.

A matemática Ann Mitchell em sua casa na Escócia © Jane Barlow/JPIMedia

Mitchell é considerada uma das responsáveis pela decifração e tradução de mensagens entre os nazistas, indicando, por exemplo, coordenadas de ataques do eixo durante a guerra – não é exagero, portanto, afirmar que Mitchell ajudou a salvar o mundo. Os trabalhos de Mitchell foram realizados entre 1943 e 1945, quando do rendimento alemão. Passado o conflito, a matemática passou a se dedicar ao estudo da filosofia e a lecionar, vivendo novamente na cidade de Edimburgo, na Escócia, onde veio a falecer.

Um dos proto-computadores utilizadas por Mitchell no trabalho de decodificação durante a guerra © Getty Images

Mitchell mostrando como as máquinas funcionavam © Esme Allen/JPIMedia

Nos últimos anos o interesse pela história do centro de decifração Bletchley Park, onde trabalhava com Turing, se elevou consideravelmente: além do filme O Jogo da Imitação, que conta a história do matemático (inclusive sua atuação em equipe durante a guerra), o livro As Garotas de Bletchley, de Tessa Dunlop, que conta a história justamente das mulheres que trabalharam no projeto. Segundo o filho de Mitchell, a matemática faleceu em uma casa de repouso, e já se encontrava bastante debilitada antes de contrair o Covid-19.  “Fico feliz por ela ter recebido o reconhecimento por uma vida bem vivida”, afirmou o filho Andy Mitchell.

Mitchell em 1943 em sua formatura na Universidade de Oxford, no ano em que ingressaria no projeto © arquivo pessoal

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© fotos: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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