Arte

Aldir Blanc vira nome de lei de auxílio aos trabalhadores da cultura durante pandemia

por: Kauê Vieira

O nome do músico e compositor Aldir Blanc, morto vítima do novo coronavírus, será eternizado em uma lei que chega como alento para a cultura. A Câmara dos Deputados aprovou na tarde de sexta-feira (26) a Lei Emergencial da Cultura (PL 1075/2020), que segundo escolha da relatora, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), será chamada de Lei Aldir Blanc. 

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Aldir Blanc vira lei que socorre trabalhadores da cultura

A medida garante o emprego de R$ 3,6 milhões para o fomento de ações de emergência para a cultura durante o isolamento social para conter a covid-19 no Brasil. O único partido a votar contra foi o NOVO, que por meio de João Amoedo, ex-presidente da sigla, declarou ser “contra privilégios setoriais”. Voto vencido e que ignora o tamanho da cultura, que representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB) e emprega 5 milhões de pessoas

A Lei Aldir Blanc chega num momento de penúria para a maioria dos artistas e quem trabalha com cultura de alguma forma. O fechamento de casas de shows, teatros e a falta de perspectiva de um retorno preocupam. A Lei, portanto, serve de alento para a classe que agora poderá receber um auxílio para passar pelo tempo ruim provocado pelo vírus. 

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De acordo com a Revista Fórum, a Lei Aldir Blanc prorroga pelo período de 1 ano a aplicação de recursos do Poder Executivo para atividades de cultura que já foram aprovadas. 

“Quero realçar a importante fala do líder do governo, Vitor Hugo, que se comprometeu pelo não-veto do projeto, ao texto aprovado pela Câmara e espero que, muito rapidamente, pelo Senado Federal. Isso é uma importante conquista do acordo constituído nesta Casa, ou seja, a sanção da lei que o Congresso Nacional aprovará, o que significa que essa lei muito em breve será uma lei real”, disse Jandira ao Brasil de Fato. 

O dinheiro 

Quem trabalha com cultura pode pedir o pagamento do auxílio de R$ 600, desde que comprove os rendimentos entre os meses de janeiro de 2019 e fevereiro de 2020. O teto para cada família é de três salários mínimos. Mães solteiras, assim como acontece no caso do auxílio para outros membros da sociedade civil, podem receber R$ 1.200. O benefício abrange uma série de profissões, entre elas oficineiros e produtores culturais. A medida exige a comprovação do desempenho das atividades. 

A relatora Jandira Feghali

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Isabel Blanc, filha de Aldir, celebrou a aprovação da lei que homenageia o pai. “Foi aprovada, na  Câmara, a lei de Emergência Cultural Aldir Blanc. Chorando de emoção”, escreveu no Twitter. 

A Lei Aldir Blanc é de autoria da deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), em parceria com outros 23 parlamentares, incluindo a já citada relatora Jandira Feghali. A proposta prevê que espaços culturais recebam, enquanto a quarentena durar, valores que podem chegar aos R$ 10 mil.

Aldir Blanc certamente sorri no céu, acompanhado de uma boa cerveja e a camisa do vasco da Gama, claro. 

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Fotos: foto 1: Divulgação/foto 2: Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

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