Sustentabilidade

Cães estão sendo treinados para salvar rinocerontes de caçadores na África do Sul

por: Gabriela Glette

Cachorros são os melhores amigos do homem há séculos, mas tamanha lealdade não está restrita apenas aos humanos. Com a lista de animais selvagens ameaçados de extinção aumentando cada vez mais, cães treinados estão sendo essenciais para salvar rinocerontes de caçadores na África do Sul. Um grupo de beagles já salvou a vida de 45 rinocerontes ameaçados por caçadores ilegais, na região do Parque Nacional Kruger e vem fazendo isto desde 2018.

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Os cães trabalham para a Southern African Wildlife College, organização que protege os parques nacionais do país, geralmente ameaçados pela caça. Treinados para proteger a vida selvagem desde que nascem, eles começaram a trabalhar aos 18 meses de idade e seus esforços já ajudaram a capturar  cerca de 145 caçadores e a confiscar 53 armas, segundo a National Geographic.

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Tudo começou em 2017, quando Theresa Sowry – CEO da Southern Africa Wildlife College, visitou um homem chamado Joe Braman em sua fazenda no sul do Texas. Assim, ela descobriu que este homem  treinava uma linhagem especial de cães que obtiveram grande sucesso em ajudar policiais texanos a capturar presos fugitivos. Foi então que a conservacionista pensou que poderia usar esta capacidade nata dos cachorros em prol de animais selvagens em perigo.

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A importância destes cães

Os Parques Nacionais da África do Sul já haviam tentado combater à caça furtiva usando cães individuais, mas não obteve sucesso. Isto porque: “Construir uma equipe de cães de carga é um empreendimento enorme. Você precisa da genética certa, do treinamento certo e, mais importante, da mentalidade certa para reunir tudo isso”, explica Sowry.

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Pouco tempo depois, Joe Braman foi convidado para trabalhar junto à instituição, diretamente nos parques nacionais da África do Sul, onde criou o grupo K9. Após chegar com seus cães, ele não sabia o que esperar, mas logo no primeiro dia os beagles conseguiram capturar um grupo de caçadores furtivos que mataram um rinoceronte. Desde então, houve um aumento de dez vezes nas apreensões de caçadores graças ao trabalho do programa K9.

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Hoje, mesmo em meio à pandemia do coronavírus, o trabalho da equipe K9 continua a todo vapor. No dia 7 de maio, o Southern African Wildlife College comemorou o primeiro aniversário dos filhotes de cães pretos e castanhos, nascidos dos cães originais que vieram do Texas – e em 6 meses eles também se juntarão aos veteranos no campo para continuar proteger e servir a vida selvagem ameaçada.

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Fotos: Southern African Wildlife College


Gabriela Glette
Uma jornalista e produtora de conteúdo que mora na França. Apaixonada por viagens e inquieta por natureza, ela encontrou no nomadismo digital o segredo de sua felicidade, e transforma a saudade que sente da família e amigos em combustível para escrever suas histórias. Gabriela também é fundadora do site Quokka Mag, onde fala apenas sobre coisas boas!


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