Arte

Cuba e o movimento de libertação africana se encontram na arte; entenda

por: Vitor Paiva

Durante o período da Guerra Fria, todo espaço público e político era palco para a disputa entre o bloco comunista e os EUA – até mesmo pôsteres. Uma exposição ocorrida em Londres no final do ano passado mostrou como a revolução cubana inspirou os movimentos de independência das colônias africanas, e o suporte oferecido por Fidel Castro para os movimentos libertários do continente africano, através dos pôsteres criados em Cuba. O material da exposição assim como as informações foram reunidas em matéria original da BBC.

Pôster de 1969 lançado pela OSPAAAL retratando Che Guevara © Alfredo G. Rostgaard

Intitulada Designed in Cuba: Cold War Graphics (Feito em Cuba: Grafismos da Guerra Fria, em tradução livre) a exposição reuniu o trabalho de 33 artistas retratando principalmente grandes personagens da própria revolução cubana e das revoluções africanas – como Ernesto ‘Che’ Guevara e o Amilcar Cabral, que liderou o movimento pela independência da Guiné-Bissau e do Cabo Verde. Os trabalhos eram realizados pela Organização de Solidariedade com os povos da Ásia, África e América Latina (OSPAAAL), um movimento capitaneado por Cuba criado em 1965 para combater o neoliberalismo, o imperialismo estadunidense e defender os direitos humanos.

Pôster retratando Amílcar Cabral para o Dia da Solidariedade com o povo de Guiné-Bissau e Cabo Verde, de 1974 © Olívio Martínez Viera

Dentre os artistas estão diversas mulheres que trabalhavam como designers para a OSPAAAL, e que retratavam também personagens femininas revolucionárias – incluindo impressionantes cartazes de mulheres carregando metralhadoras.

Dia da Solidariedade com o povo de Guiné-Bissau e Cabo Verde, 1968 © Berta Abelénda Fernández

Capa da revista Tricontinental, de 1965, publicada pela OSPAAAL

Muito influenciados pela Pop Art e o Construtivismo russo, os cartazes quase sempre expressam sua força através de cores saltantes, tipografias impactantes e grafismos vibrantes. Os cartazes costumavam trazer informações em línguas diversas, como inglês, espanhol, francês e árabe, assim de se fazerem mais universais.

Retrato de Patrice Lumumba em pôster pelo Dia da Solidariedade com o Congo, de 1972 © Alfredo Rostgaard

Dia da Solidariedade com Angola, de 1972 © José Lucio Martínez Pedro

Além de Amilcar Cabral, o líder da independência do Congo, Patrice Lumumba, e o líder sul-africano Nelson Mandela, símbolo da luta contra o Apartheid em seu país, são alguns dos outros personagens retratado em alguns pôsteres da OSPAAAL.

Pôster de Nelson Mandela contra o Apartheid, de 1989 © Alberto Blanco González

Os pôsteres foram produzidos até o final dos anos 1980 e o trabalho da OSPAAAL foi encerrado em 2019 pelo governo cubano mas, ainda hoje, independentemente de qual seja sua posição no espectro ideológico ou sua opinião sobre tais revoluções, é evidente que a liberdade do povo africano era e ainda é pauta urgente – e que os cartazes são de uma beleza e força impressionantes.

África do Sul contra o Apartheid, de 1982 © Rafael Morante Boyerizo

Namíbia Vencerá!, de 1977 © Víctor Manuel Navarrete

“Vida longa ao Zimbabwe livre”, de 1980 © Lázaro Abreu Padrón

Semana Internacional da Solidariedade com os Povos da África, de 1970 © Gladys Acosta Ávila

Dia da Solidariedade Mundial com a Luta do Povo do Moçambique, de 1973 © Olívio Martínez Viera

Dia da Solidariedade com Zimbabwe, de 1969 © Jesús Forjans Boade

Dia da Solidariedade com o Povo da África do Sul, de 1968 © Berta Abelénda Fernández

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© artes: créditos


Vitor Paiva
Escritor, jornalista e músico, doutorando em literatura pela PUC-Rio, publica artigos, ensaios e reportagens. É autor dos livros Tudo Que Não é Cavalo, Boca Aberta, Só o Sol Sabe Sair de Cena e Dólar e outros amores.

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