Debate

EUA: confronto e viaturas destruídas após policial branco matar homem negro com o joelho

por: Karol Gomes

A morte de um homem negro em Minnesota, nos Estados Unidos, pelas mãos de um policial branco, tem causado uma onda de indignação depois da divulgação de um vídeo em que mostra o assassino ajoelhado sobre a vítima.

Enquanto o departamento de polícia federal americano, o FBI, assume o caso para investigações, a cidade tem sido ocupada por protestantes, que queimam prédios, carros e invadem estabelecimentos privados pedindo por justiça.

Minneapolis é palco de protestos após policial matar George Floyd

– Segurança que matou jovem negro no Extra foi condenado por agredir ex

Nas imagens, colhidas na segunda-feira (25), o homem, identificado como George Floyd, de 40 anos, reclama e diz repetidamente: “Não consigo respirar”. Pouco depois, ele parece não se mexer, antes de ser colocado em uma maca e transferido para uma ambulância.

– O discurso sobre racismo de Jesse Williams (Grey’s Anatomy) e sua sintonia com a realidade brasileira

Minneapolis é palco de protestos após policial matar George Floyd

A polícia estava no local respondendo a uma denúncia anônima sobre um homem que tentava usar cartões falsos em uma loja de conveniência. Não se sabe ainda se Floyd se encaixava no perfil descrito na chamada, mas ainda que fosse, o suposto crime não justificaria tamanha violência por parte dos policiais.

De acordo com relatório da atividade, dois policiais localizaram o suspeito em um veículo. Segundo eles, Floyd “parecia estar intoxicado”. Eles ordenaram que saísse do veículo, mas o homem resistiu, segundo a versão da polícia.

– Jóia do Vasco fala de genocídio negro e pede posicionamento de colegas: ‘Não posso me alienar’

O Departamento de Polícia de Minneapolis (MPD, na sigla em inglês) alega que, quando os policiais conseguiram algemar o suspeito, notaram que ele parecia estar sofrendo de “problemas médicos”. Porém, no vídeo de 10 minutos filmado por uma testemunha, um policial mantém Floyd no chão. A vítima parece demonstrar apenas medo e, a certa altura, pede: “Não me mate”.

Ao fundo, é possível ouvir pessoas no local pedindo ao oficial que retire o joelho do pescoço do homem, observando que ele não estava se mexendo. Alguns dizem que “seu nariz está sangrando”, enquanto outro pede: “Saia do pescoço dele”.

Minneapolis é palco de protestos após policial matar George Floyd

– Tia Má desabafa sobre jovem negro agredido por PM por causa do cabelo

Por fim, a polícia alega que nenhuma arma foi usada durante o episódio e que as imagens das câmeras foram enviadas para o Departamento de Execução Penal de Minnesota, que também iniciou uma investigação.

Minneapolis é palco de protestos após policial matar George Floyd

– Jovem negro taxado de ‘suspeito’ por fotos em bairro de Jundiaí inicia carreira na fotografia

O episódio é semelhante ao que aconteceu com outro homem negro, Eric Garner, que morreu ao ser preso em 2014, em Nova York. Garner repetiu “Não consigo respirar” 11 vezes e a frase ficou marcada entre os movimentos negros americanos.

Diante dos motins provocados pela morte de Floyd, o FBI juntou-se à investigação dos eventos, informou o MPD em comunicado na terça-feira. Além disso, o prefeito da cidade, Jacob Frey, disse no Twitter na segunda-feira que “os quatro policiais do MPD envolvidos na morte de George Floyd foram demitidos”.

– Miss e empresária acusa banco de racismo ao ser detida tentando sacar o próprio dinheiro

Em busca de justiça

A família de George Floyd falou à CNN americana sobre sua morte e a atuação da polícia: “eles deveriam servir e proteger a sociedade, mas não vi nenhum deles levantar um dedo para ajudar enquanto ele estava suplicando pela vida”, disse Tera Brown, primo de Floyd.

George Floyd foi morto de forma covarde por policial

– Supermercado vai pagar R$112 mil por jovem negro agredido por segurança

Na entrevista emocionante, Brown e os dois irmãos de Floyd o descreveram como um homem que “não machucava ninguém” e era um “gigante gentil”. A família declarou indignação e pediu que os quatro policiais envolvidos sejam processados pelo estado.

Publicidade

Fotos: foto 1: Getty Images/foto 2: Getty Images/foto 3: Getty Images/ foto 4: Reprodução/Twitter/foto 5: Arquivo Pessoal


Karol Gomes
Karol Gomes é jornalista e pós-graduada em Cinema e Linguagem Audiovisual. Há cinco anos, escreve sobre e para mulheres com um recorte racial, tendo passado por veículos como MdeMulher, Modefica, Finanças Femininas e Think Olga. Hoje, dirige o projeto jornalístico Entreviste um Negro e a agência Mandê, apoiando veículos de comunicação e empresas que querem se comunicar de maneira inclusiva.


X
Próxima notícia Hypeness:
Ele achou que não testaria positivo para o HIV por ser homem hétero e branco