Diversidade

Fatou Ndiaye é mais que vítima de racismo. É uma jovem linda e inspiradora e podemos provar

por: Kauê Vieira

Ndeye Fatou Ndiaye é uma jovem de 15 anos que ficou conhecida pelo racismo sofrido por colegas de escola. Aluna do Franco-Brasileiro desde os 5 anos, ela foi tema de uma série de mensagens trocadas por adolescentes de um colégio frequentado por membros das classes mais altas do Rio de Janeiro. 

– EUA: negros pagam com vida o preço da pandemia no país onde saúde depende da raça e do bolso

O conteúdo racista disseminado em um grupo do WhatsApp pode ser lido aqui, pois o tema dessa matéria não é a discriminação propriamente. Optamos por exaltar Fatou, que além de linda, se mostrou uma garota lúcida, ciente do que é e da importância de combater o preconceito. 

Fatou falou bonito contra os racistas

Fatou é filha do senegalês Mamour Ndiaye, doutor e professor de engenharia elétrica no Cefet-RJ. A jovem é uma das melhores alunas da instituição de ensino e já ganhou diversos prêmios, sobretudo relacionados com poesia. 

Fatou contou ao Universa que a família já registrou Boletim de Ocorrência contra os racistas. Ela, no entanto, faz questão de dizer que sempre teve ciência da pessoa (maravilhosa) que é e que sente pelo professores, que segundo Fatou, trabalham duro pela diversidade dentro da sala de aula. 

Pensei nos meus professores, que sempre foram muito engajados, sempre demonstraram muito apego à luta racial, sempre me deram voz pra expor minhas ideias. Uma professora me mandou uma carta em que disse sentir que falhou. Eu não acho que ela falhou e eu pensei primeiro neles.

– Youtuber Gabi Oliveira revela estratégias para aliar militância e diversão na rede

As redes sociais da estudante foram inundadas de mensagens de amor e afeto. Fatou usa o Instagram para promover a Africa Arte, empresa especializada em moda gerida por uma família do Senegal. Em uma das postagens, ela celebra a abertura de uma filial da loja em São Paulo. 

“Eu não fiquei triste porque eu sei quem eu sou, eu sei qual é a minha história, não vou deixar quatro pessoas que não conhecem nada de mim me abalarem. Eu fiquei indignada, mas ficar triste, eu fico triste pela família do João Pedro, que perdeu seu filho. Fico triste também pelos pais desses meninos, porque imagino que essas famílias fizeram tudo para educá-los”, ressaltou ao Universa. 

– Joanesburgo: rolê no centro financeiro e cosmopolita da África do Sul pós-apartheid

Em um vídeo de 2014, Fatou é vista apresentando um trabalho que busca mostrar uma imagem positiva do continente africano. A África, vocês sabem, é alvo de diversos estereótipos que tentam resumir o continente de 54 países ao subdesenvolvimento, pobreza, etc. 

“Sou África sou diversidade.

Sou África com amor

Terra onde eu nasci

E cresci e cultivo tudo que sei”

Tudo isso pra dizer, assim como a própria Fatou salientou, que os autores de ofensas racistas devem sim ser punidos. O colégio Franco-Brasileiro, que soltou uma nota de repúdio mas ainda não disse quais atitudes vai tomar, deve assumir a responsabilidade de tornar o espaço de difusão do saber mais diverso. Mandela dizia que ninguém nasce racista, no entanto, é necessário que as pessoas convivam em ambientes, como bem lembrou Angela Davis, antirracistas. 

Publicidade

Foto: Reprodução/Instagram


Kauê Vieira
Nascido na periferia da zona sul de São Paulo, Kauê Vieira é jornalista desde que se conhece por gente. Apaixonado pela profissão, acumula 10 anos de carreira, com destaque para passagens pela área de cultura. Foi coordenador de comunicação do Projeto Afreaka, idealizou duas edições de um festival promovendo encontros entre Brasil e África contemporânea, além de ter participado da produção de um livro paradidático sobre o ensino de África nas Escolas. Acumula ainda duas passagens pelo Portal Terra. Por fim, ao lado de suas funções no Hypeness, ministra um curso sobre mídia e representatividade e outras coisinhas mais.

Branded Channel Hypeness

Marcas que apoiam e acreditam na nossa produção de conteúdo exclusivo.



X
Próxima notícia Hypeness:
Tweet que transformou ‘Cachinhos Dourados’ em ‘Cachinhos Crespos’ vira capa de livro infantil